Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, mas há quem o faça. Muito mais do que fita, conta o fato. Joesley e Temer se fitaram, de fato, inúmeras vezes. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o presidente reconheceu o notório encontro clandestino com o megaempresário corrupto. E que ele lhe contou que estava comprando juízes. E que o dono da JBS lhe pediu para traficar influência no governo.
Uma confissão extrajudicial eivada de mentiras e incoerências: "defini que ministro meu denunciado será afastado, mas essa linha de corte, por evidente, não será a mesma para o presidente, pois sou chefe do Executivo".
O plano de governo de Temer é servir ao deus-mercado e... sobreviver como governante: "se quiserem, me derrubem, porque se eu renuncio é uma declaração de culpa".
Nesse apego ao cargo, talvez por temor de trocar o foro do STF pelo de Curitiba, o ainda presidente acaba de fazer uma troca de cadeiras na sua equipe.
Sem justificativa, coloca na Justiça um ex-ministro do TSE, bem relacionado na Corte que julgará a chapa Dilma-Temer semana que vem, e queria transferir Serraglio (PMDB) para a Transparência. Com isso manteria o foro privilegiado para Loures, o suplente peemedebista que continua deputado. Troca-troca sem qualquer explicação e transparência! Os valores republicanos continuam sendo jogados na lata do lixo.
Mas ainda há vida luminosa nesse Brasil de brumas, controlado por uma casta política podre. Na tarde de domingo, em Copacabana, milhares se reuniram para afirmar, em prosa, verso e canto, sua fé na democracia, em diretas sempre, em fazer dessa vergonha uma Nação.
O parágrafo único da Constituição firma uma cláusula pétrea: "todo poder emana do povo". Um Congresso Nacional sem credibilidade, com tantos parlamentares frequentemente acusados de mercadejar projetos e votos, não pode pretender que 594 parlamentares substituam 144 milhões de eleitores. É absolutamente constitucional e necessário emendar a Constituição para assegurar a soberania popular.