Os momentos de caos e tensão em Brasília nesta semana ficaram completos com a presença de homens do Exército para conter a fúria de manifestantes contra o governo federal e proteger prédios públicos. Sem dúvida, são revoltantes as imagens de vandalismo na capital do País. O que era para ser uma manifestação pacífica e legítima se tornou algo criminoso.
No entanto, tão chamativo quanto isso foi a presença do Exército para garantir a ordem. Não à toa repercutiu bastante entre deputados e senadores que apoiavam e criticavam tal medida determinada pelo presidente Michel Temer por meio de um decreto que autorizou o uso das Forças Armadas. A principal contestação era o fato de que nenhuma das justificativas para tal ato, segundo eles, teria sido atendida. Os motivos para se convocar o Exército são estado de guerra, ameaça externa e quando todas as opções de forças de segurança estão esgotadas.
Além disso, a presença das Forças Armadas foi emblemática, especialmente em se tratando de um país que viveu mais de duas décadas com governos ditatoriais. Remete ao passado, quando qualquer manifestação era reprimida e combatida. Mas ontem o que ocorreu foi praticamente uma batalha campal.
Também chama atenção a postura das centrais sindicais e partidos ditos de esquerda que convocaram o protesto, mais especificamente sua parcialidade. Quando das denúncias sobre a pilhagem da Petrobras, os desvios no BNDES, a corrupção em níveis jamais vistos nos governos Lula e Dilma, com favorecimento de empresas bilionárias, como a J&F, de Joesley Batista, as incessantes denúncias da Lava Jato, entre tantas outras, não se viu a mesma intensidade, a mesma vontade desses manifestantes. Ao contrário. Quando informações tão graves ou piores quanto as que são contra Temer surgiam e se ampliavam envolvendo os ex-presidentes petistas, esses mesmos grupos saíam às ruas em apoio a eles. Ora, por que isso? O que é regra para um não vale para outro? Os desmandos, a corrupção e o desvio do dinheiro público devem ser combatidos sempre, independentemente do acusado.
Agora o que resta são a inconformidade com o que aconteceu e a conta que terá que ser paga pela população, com o dinheiro do contribuinte, para reparar os estragos causados pelos atos criminosos que resultaram em depredação do patrimônio público.
Se por um lado a convocação do Exército é questionável, por outro, a violência disfarçada de protesto é inaceitável, na mais pura demonstração de que, para muita gente, há dois pesos e duas medidas.