A Venezuela é um exemplo para a América do Sul. Com um presidente (Nicolás Maduro) que não deixa o poder de forma alguma, os venezuelanos observam a política de seu país se esfacelar aos poucos, seus direitos serem neglicenciados e sua esperança desaparecer. Na última semana, os parlamentares da Venezuela foram afastados de seus trabalhos, assumidos pelo Supremo Tribunal de Justiça. Uma manobra de Maduro, que tem no Parlamento fortes inimigos. Algo como modificar todo o sistema a favor da permanência do presidente.
Claro que vamos comparar a situação com o Brasil. O que está acontecendo lá é uma intervenção ministerial, assumida de forma quase militar. Seria como se, no ano passado, Dilma Rousseff colocasse Ricardo Lewandoswki para presidir a Câmara ou o Senado, antes da votação do impeachment contra ela. O povo? Na Venezuela parece que o povo é o que menos importa ao ditador. Por sorte, fomos respeitados por aqui, mesmo que não estejamos satisfeitos com Michel Temer.
A crise venezuelana não deveria estar ocorrendo, uma vez que essa história já foi vista inúmeras vezes e o final é sempre trágico. Países dominados por ditadores pagam um preço alto por esse poder a qualquer custo. Nessa hora temos que nos orgulhar de ser um país livre, com uma Constituição que nos permite se defender de ditadores, de "coronéis" e, principalmente, de corruptos.
O que tem acontecido aqui no Brasil é o oposto da Venezuela. Podemos estar mal economicamente, mas os criminosos nunca foram punidos como agora. Grandes empresários estão na cadeia, políticos também pagam pelos seus esquemas fraudulentos e até o presidente Michel Temer corre o risco de ser punido.
A liberdade tem seu preço, mas com certeza só sabe o valor dela quem não a usufrui. No caso dos venezuelanos, esse direito tem sido tirado deles. Se não bastasse a crise pela qual passa o país, onde faltam itens básicos nos supermercados e, consequentemente, nas casas das pessoas, a Venezuela sofre com um presidente que não aceita ser tratado como os outros. Ao pensar que é um Deus, Maduro faz o que bem entende
Ontem, o presidente venezuelano voltou atrás e os deputados retomaram aos seus cargos, porém o susto foi dado. Diante desses atos antigos, retóricos e ultrapassados, temos de agradecer por viver em um País que se discute a prisão de políticos e empresários corruptos e que afasta presidentes que não cumprem seu papel. Em outros países isso ainda é um sonho inalcançável.