Esse é o percentual de entrevistados que julgam ser bom ou ótimo o governo Temer, de acordo com a pesquisa Ibope da Confederação Nacional da Indústria. Muito até. A avaliação só melhora se a economia melhorar e isso depende de boa gestão.
Temer terminará seu mandato, seja porque o TSE não o julgará a tempo, seja porque ninguém quer segurar esse rojão por tão pouco tempo. A terceirização foi um tiro no pé; quem atua na Justiça do Trabalho sabe bem o que isso significa. Não se trata de precarização das condições de trabalho, mas de trabalhar e simplesmente não receber.
A grande maioria das empresas terceirizadas presta serviços para o Poder Público, para estatais, sociedades de economia mista e concessionárias de serviços públicos. Quase todas são absolutamente inidôneas financeiramente, pois, embora recebam das tomadoras de serviços, não efetuam o depósito no FGTS e deixam de quitar os direitos trabalhistas dos terceirizados.
Na Justiça, elas procuram se eximir da responsabilidade pelos débitos trabalhistas, alegando que tudo já foi pago à empresa terceirizada. Moral da história: a parte pobre da relação jurídica, o empregado terceirizado, não recebe nada. Hoje são faxineiros, porteiros e seguranças; com a mudança todos os empregados poderão ser terceirizados. A escola poderá terceirizar professores, hospitais os médicos e assim por diante. Empresas terceirizadas não possuem prédios, veículos ou patrimônio para responder pelos débitos trabalhistas.
Quem fala em modernidade na terceirização desconhece sua realidade. Reforma não se faz a toque de caixa, sem discussão, sem ouvir quem entende do traçado; meia dúzia de deputados isolados em Brasília não são o suficiente. Melhor começar pela reforma tributária, reduzindo e simplificando o sistema tributário nacional, aumentando a base de arrecadação e tributando mais quem tem dinheiro de verdade e menos o pobre.
Temer deve deixar de lado essa agenda, isso é para o próximo presidente que terá legitimidade para implantar as reformas necessárias.