A tão sonhada recuperação econômica ainda não deu sinais de vigor. A inflação está dominada pela falência do consumidor e pelo desemprego recorde. Taxa básica de juros em ritmo de redução tímida, caindo, mas como a taxa de juros bancários sobe?
As explicações são múltiplas, mas o fato é que não dá para entender como os juros bancários ao invés de descerem chegaram a subir no finado mês de fevereiro. Pior do que é isso só o spread bancário, tradução singela: diferença entre o que um banco paga pelo dinheiro de seus clientes e quanto cobra dos mesmos quando eles tomam crédito. Essa diferença é tão absurda que praticamente é suicídio financeiro tomar empréstimo.
Quem tem o mínimo de noção financeira não faz nenhum empréstimo bancário, pois as taxas de juros são extorsivas. Empresas que necessitam de financiamento também são vítimas dessa ciranda: quando entram não saem mais e se não tomam crédito deixam de operar, eis aí um grande problema a ser resolvido pelo governo.
Os bancos continuam com lucros absurdos sem produzir substancialmente nada e sem correr risco. Apenas lucram cobrando juros exorbitantes e pagando rendimentos insignificantes para aqueles que lhe destinam seu capital. Já é hora de mexer no sistema bancário brasileiro e limitar os lucros extorsivos de instituições que não atendem aos interesses comuns da sociedade.
Não há financiamento para o setor produtivo nem para o consumo, mas os lucros bancários, mesmo em plena crise e recessão, não foram abalados e só cresceram. Se só os bancos ganham enquanto todo o País perde está na hora de mudar as regras do jogo.
Há teto de gastos públicos, haverá redução da proteção previdenciária, reforma trabalhista, precisamos de reforma fiscal e também do sistema financeiro. Pode parecer impossível, mas uma hora ela virá, por bem ou por mal. Que o digam as fintechs, uma espécie de Uber dos bancos que já surgiram e começam a arranhar os grandes, até que um dia mudem as regras do sistema bancário brasileiro.