O Parque da Cidade recebeu no domingo passado a abertura do 8º Campeonato Paulista de Futebol para Amputados, modalidade na qual Mogi das Cruzes tem duas equipes formadas. Quem ainda não ouviu falar no futebol para amputados pode estranhar e considerar uma prática impossível, principalmente ao saber que se trata de um esporte que permite, para os jogadores de linha, apenas a participação de atletas que tiveram parte de uma das pernas amputadas, e não dos braços. Mas basta acompanhar uma partida dos times com muletas para não restar dúvidas de que, quando se tem um sonho, não há limitações que possam ser impostas.
É provável também que, ao assistir um jogo de futebol para amputados, o espectador saia do evento um pouco diferente, com uma visão mais ampla sobre a vida. Isso porque é inspirador observar esses atletas transformando problemas insolucionáveis em um novo estivo de vida. Ter essa visão, muitas vezes, torna nossos grandes problemas em "probleminhas". E apoiado neste ponto de vista, os jogadores de futebol para amputados dão um "banho de bola" e nos ensinam, sem dizer nada, que a maneira certa de enfrentar uma adversidade é encarando-a e não dar ouvidos ao "impossível".
E o melhor e mais bonito de tudo: não há sensação de pena entre atletas do mesmo time ou rivais, assim como entre jogadores e treinadores. As broncas são duras quando necessário e o jogo mais "pegado" do que se possa imaginar. Apesar do exemplo de respeito e fair play, não é difícil ver faltas duras por excesso de vontade e muletas voando das mãos dos jogadores que vão ao chão. Um breve pedido de desculpas basta para colocar a bola no chão e seguir o jogo.
Em matéria publicada na terça-feira, o zagueiro da Ponte Preta Helber Leopoldino resumiu, após o fim da primeira rodada do estadual, no Parque da Cidade, como ele faz para enfrentar a difícil situação de não ter uma perna: "Basta querer".
Muitos desses atletas são resgatados pelos próprios jogadores, que fazem palestras aos amputados sedentários e os convidam a bater uma bola. Conforme vão tomando gosto, conseguem evoluir e garantem uma vaga no time. E aí vale ressaltar o trabalho do craque do Corinthians/Mogi Rogerinho Almeida e seus parceiros, que não se cansam de realizar amistosos e competições Brasil afora, afim de difundir a modalidade e recrutar o maior número de pessoas possível. Se Rogerinho já é considerado fora de série dentro do campo, ele e sua turma demonstram ser craques também fora das quatro linhas.