Não resta dúvida de que o governo do Estado tem uma dificuldade imensa de cumprir prazos em relação a obras e serviços previstos. É recorrente. O problema agora é que essa característica está chegando a um patamar superior, em que também começa a haver recuo nas promessas propriamente ditas. Ou seja, a população e as autoridades locais correm um sério risco de verem projetos antes tidos como líquidos e certos nem mesmo saírem do papel.
A demora na concretização de promessas faz com que se pense que algo deixará de ser feito. É tanto adiamento que tudo é possível. Mas claramente se posicionar de forma antagônica ao que havia garantido antes é novidade.
O Trecho Leste do Rodoanel Mário Covas (SP-21) passa por quatro cidades daqui - Suzano, Poá, Itaquaquecetuba e Arujá -, mas, sem dúvida, é importante para o Alto Tietê como um todo. Tanto para quem é de outros municípios e usa o anel viário, como também para aqueles que nem mesmo passam perto dele, mas sentem o impacto da diminuição de veículos nas rodovias que utiliza.
Esse complexo viário é muito esperado. Trata-se de um conjunto de alças, na estrada dos Fernandes, que seria fundamental para a fluidez do trânsito em várias partes da região. Acontece que, contrariando promessas feitas, inclusive pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), a obra não sairá da maneira como se desenhou. Primeiro porque surgiram impeditivos para concessão de licenças ambientais. Depois porque, de acordo com a Artesp, a necessária duplicação da estrada dos Fernandes para este fim não será mais realizada.
A notícia evidencia que no futuro poderá comprometer não apenas o complexo de alças como também o trânsito e a infraestrutura viária de Suzano e cidades vizinhas. Foi um banho de água fria para se ter uma obra decente e eficiente na região. As autoridades terão trabalho para demover o Estado dessa decisão.
Diante disso já se começa a imaginar o que mais pode mudar por aqui. O novo Centro Oncológico de Mogi está prometido para maio, depois de sucessivos adiamentos. Será que quando for entregue algo prometido vai ficar para trás? E a Mogi-Dutra, cuja licitação para duplicação entre Mogi e Arujá quase virou lenda: haverá surpresa? Assim como o Hospital Estadual de Suzano, que ninguém mais sabe quando vai começar o atendimento. É bom os prefeitos e os deputados ficarem de olhos bem abertos.