Fevereiro trouxe uma notícia que animou e muitos os brasileiros. Afinal, foi no mês passado que o presidente Michel Temer anunciou que o Brasil voltou a gerar emprego após quase dois anos de recessão.
Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em fevereiro deste ano, o País registrou 1.250.831 contratações contra 1.215.219 demissões, ficando com variação positiva de 35,6 mil. O levantamento mostra que as medidas adotadas pelo governo nos últimos meses recolocaram o País em um caminho menos tortuoso. Na ocasião, Temer comemorou os resultados e até arriscou dizer nas entrelinhas que a crise econômica estava ficando cada vez mais distante do Brasil. O presidente também garantiu que a inflação fechará este ano abaixo do centro da meta de 4,5% ao ano.
Quem comemorou também foi o mercado financeiro, já que o cenário começa a se apresentar de uma melhor maneira para empresários e investidores. No entanto, tudo ainda não passa de perspectivas de melhoras, e não podemos respirar aliviados com o fim da recessão - mesmo porque o País ainda não vive um período de estabilidade, mas sim de uma possível retomada.
O cuidado é necessário neste momento e não pode ser confundido com falta de otimismo. Ao que tudo indica, realmente, a crise econômica, aos poucos, vai nos deixando em paz. Mas é bom lembrar que estamos no Brasil, o País da corrupção, e ainda temos muito o que descobrir com os futuros capítulos da Operação Lava Jato, que já mirou sua vap em cima de vários políticos e ainda deve lavar a sujeira escondida no bolso de tantos outros.
Por mais que as atitudes do atual governo em relação à economia tenham mudado, no fundo, a situação é muito parecida com a que enfrentamos em 2010, já que grande parte do seu departamento está em pânico com a Operação Lava Jato . Então, apesar da retomada da geração de empregos, como ficar otimista sabendo que o parlamento, incluindo homens de confiança de Temer, está ameaçado com as contínuas investigações?
Claro que a Lava Jato não pode parar, é preciso cortar o mal pela raiz, mas também é inegável que se alguns ministros, deputados e vereadores caírem em alguma delação nesta operação, o Brasil poderá viver momentos difíceis novamente. Apesar disso, é um mal necessário e um risco que vale correr. Podemos até dar um passo para trás, mas será a melhor forma de, futuramente, caminharmos com mais estabilidade. Por isso, sejamos otimistas, mas sem euforia.