Como já era previsto pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) no ano passado, o comércio varejista deve começar a retomar vagas de emprego em 2017, mas o início do ano prometia ser complicado. Por enquanto, a previsão se sustenta.
Em Mogi das Cruzes, por exemplo, o ano passado fechou com redução de 426 postos de trabalho. O montante é quase 70% maior que o registrado em 2015, quando 252 desligamentos foram contabilizados. E o cenário nos demais municípios da região, assim como em todo Brasil, não é muito diferente.
De acordo com a FecomercioSP e o Caged, a previsão é de que nos próximos meses a situação continue complicada para o setor. Seguindo a tendência, no primeiro semestre teremos ainda muitas perdas; já o segundo será de estabilização, e isso quer dizer parar de cair, e não uma retomada, o que indica que uma melhora deverá ocorrer mais perto do fim do ano. Mas essa "melhora" ainda não indicará uma recuperação. Triste, mas a realidade é que 2017 promete ser muito complicado para quem busca emprego ou mesmo para quem ainda está empregado.
Ainda que alguns indicadores comecem a dar sinais de que a economia brasileira parou de piorar e pode estar saindo do fundo do poço, o mercado de trabalho precisará de alguns anos para se recuperar dos efeitos da prolongada recessão e absorver todos aqueles que foram demitidos ou não conseguiram um emprego com carteira assinada. Para se ter uma ideia, as estimativas do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) apontam que só a partir de 2021 o Brasil deverá recuperar o nível de estoque de empregos formais do final de 2014, quando o País vivia uma situação considerada boa para o trabalhador.
Para piorar esse quadro, até mesmo o trabalho por conta própria dá sinais de saturação. Os números do IBGE apontam que o emprego sem carteira assinada deixou de ser a válvula de escape para quem fica desempregado. Além da falta de dinheiro na praça, o Brasil, que não é há décadas um País que incentiva o empreendedorismo e trabalho informal, se encontra em situação delicada também neste setor da economia. Tanto que a Fecomercio já tem projeto para orientar os comerciantes a não arriscarem em "terrenos desconhecidos", ou seja, o melhor a se fazer é tentar manter o negócio aberto, sem muita "inovação".
A verdade é que o tempo para uma retomada vai depender de ações competentes do governo atual. Só assim voltaremos a ser "O País do Futuro".