Por que será que uma cidade pequena não consegue acabar de vez com o tráfico de drogas? Alguns municípios têm poucos habitantes e poucas vias, entradas e saídas, mas mesmo assim as autoridades são incapazes de exterminar esse mal. Será que, da mesma forma que em alguns setores, a ordem vem de cima, do Estado talvez, e por isso os municípios não podem interferir neste assunto? Alguma explicação deve haver.
Em pleno 2017, aceitar que jovens entrem no mundo das drogas por falta de informação, crise familiar ou simpatia pelo crime não é aceitável. Por outro lado, manter usuários de crack nas praças também não. Quem mora em Mogi das Cruzes ou em Suzano sabe onde estão os usuários. Basta dar uma volta à noite de carro e facilmente você os encontrará nas praças centrais ou perto de pontes e passarelas. E o pior é que essa cena é vista há anos, muitos anos.
Se por um lado os defensores dos direitos humanos não deixam que a prefeitura tome atitudes drásticas, a mesma deve se organizar e criar novas formas de resolver o problema. Como bem dizem os delegados de polícia, é no tráfico a origem da maioria dos outros crimes, como roubos, furtos e homicídios. Então, o que falta para acabar com esse verdadeiro mal? Será que não temos ferramentas para isso, não temos dinheiro, nem pessoas capacitadas, ou nos falta apenas vontade?
Mogi, por exemplo, é quase toda monitorada, seja por câmeras ou por viaturas da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal. Todos sabem onde estão os pontos de tráfico, quem são os traficantes e os usuários. O mesmo ocorre em Suzano. Nesse ponto, infelizmente, muitas vezes a Justiça atrapalha o serviço da polícia, não mantendo presos alguns criminosos detidos em flagrante.
Quem anda aqui pelas cidades do Alto Tietê dificilmente erra ao olhar para uma pessoa e perceber que ela é usuária de drogas. A polícia, então, com seu faro investigativo, percebe de longe quem são essas pessoas. Mas a questão é que ela não consegue prender esses indivíduos. Muitos são protegidos por excelentes advogados, que fazem o favor de defendê-los e manter o perigo solto nas ruas.
Mas voltando ao assunto inicial: será que uma pequena cidade, como Guararema, Salesópolis ou Biritiba Mirim, não consegue acabar com o tráfico de entorpecentes? E, depois disso, se tornar exemplo para outros municípios pequenos fazerem o mesmo. E depois mais, e mais, como uma bola de neve, até que o mal acabe, ou que pelo menos diminua consideravelmente? Claro que é possível.