Tábua de salvação frequente diante do naufrágio, a reforma política volta à tona. Desta vez para evitar o afogamento de envolvidos na Lava-Jato. E, como sempre, navega longe dos interesses do eleitor.
Não há dúvida quanto à necessidade de o País substituir o atual modelo político. Mas não há qualquer chance de que ele seja alterado por aqueles que dele se beneficiam. Se for, será sempre para pior.
E é nessa trilha do para lá de ruim ao péssimo que caminha o debate desde a delação coletiva dos executivos da Odebrecht, quando a Câmara tentou, sem sucesso, aprovar a primeira anistia a financiamentos espúrios passados. Piorou depois de a Segunda Turma do Supremo entender que o caixa oficial de campanha pode embutir lavanderia de dinheiro sujo, e chegou ao alerta máximo com a segunda lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, citando mais de uma centena de políticos, entre comandantes e tripulantes.
Além da anistia ao caixa dois, que não saiu da mira, o que se tenta agora é aprovar o voto em lista fechada, já com validade para 2018. Trata-se de um molde sob medida para proteger denunciados: eles estarão elencados em um rol elaborado pelo partido, algo já declarado inconstitucional pelo STF. E o eleitor, em vez de votar no candidato, vota na lista inteira, dando a vitória aos primeiros relacionados pela agremiação.
Mais uma vez, os que querem simplesmente tergiversar ou descaradamente fazer leis de autoproteção conseguiram recolocar em pauta a premência da reforma política. Mas, claro, longe de sua essencialidade. Não dão andamento ao que já foi aprovado no Senado e, muito menos, a temas como o fim do voto obrigatório e mecanismos de recall, capazes de destituir bandidos, traidores do voto ou ineptos.
Fosse um país sério, a reforma política há muito estaria feita. Já que não foi, seria a quarta na fila, atrás das reformas da Previdência, trabalhista e tributária, essenciais para tirar o Brasil da crise.
Chamar de reforma política os remendos em curso é dar pano para vela de gente que saqueou e desgovernou a nau.