Em meus tempos de criança quando alguma moléstia mais grave acometia corria-se para a Santa Casa!
Com seu caráter filantrópico, o nosocômio, fundado ao início do Brasil Colônia, pobres ou ricos, a todos acode com seu manto protetor.
Passaram-se os anos, e o Estado, que tudo engolfa, fez com que as doações que mantinham as Misericórdias fossem substituídas por repasses de verba, tornando-a parte de seu Sistema Único de Saúde.
Como sabido, no entanto, onde ele põe a mão, aquilo que funcionava degringola!
E foi o que aconteceu! Incipientes tais repasses - quando se o faz, porque o Órgão Público é historicamente mal pagador - as Santas Casas têm experimentado dificuldades de todos os gêneros, acumulando, segundo estudos de 2016, aproximadamente 21 bilhões em dívidas com as entidades financeiras.
Ou seja, não visando qualquer lucro, têm ainda que se afundar em dívidas para garantir atendimento ao povo dele carente!
E isso tudo diante dos olhos dos gestores, que, empenhados em edificar obras portentosas que lhes assegurem visibilidades, ou, em outras palavras, votos nos diferentes pleitos, sequer se preocupam com o grave problema.
Exemplo dos extraordinários e obrigatórios gastos, embora pautando pela economia, a instituição mogiana, neste mês, deve pagar importância superior a R$ 54.000,00 pela energia elétrica usada!
Some-se a isso outras despesas também inadiáveis, e imagine-se o total da folha mensal!
Atento ao problema - como deveria estar a sociedade brasileira como um todo, eis que se trata de casa de saúde que nos diz bem de perto - ouso sugerir que, como acontece com tantas outras instituições, a ela também se concedam abatimentos - além dos que já existem - em outros setores nevrálgicos, como por exemplo, no acima citado.
Isentando-a da obrigação de arcar com tais custos, ou reduzindo-os drasticamente, o Estado mostraria sua boa vontade em relação à saúde, e daria um primeiro passo para resolver seus graves problemas.
Que não sejam sonhos de uma tarde de outono!