A ferramenta conhecida como marketing é fundamental para divulgar, alavancar e reposicionar marcas de todos os segmentos. Mas ela também pode ser um "tiro no pé" quando mal aplicada. Parece que é isso que aconteceu com o Boa Esporte Clube, time mineiro que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol. A contratação do goleiro Bruno Fernandes, preso em 2010 por participação no sequestro e assassinato de Eliza Samudio, modelo com quem havia se envolvido, faz do Boa Esporte o time mais odiado do País atualmente.
O discurso da diretoria do clube de que a contratação do jogador é uma "obrigação social do Boa Esporte" é bonito, mas não colou para a maioria dos torcedores, membros da Imprensa e patrocinadores. Tanto que três dias após anunciar sua contratação, o time mineiro perdeu quatro patrocínios. A ação das empresas é óbvia, já que ninguém tem o interesse em associar sua marca a alguém que tenha cometido um crime e que ainda esteja em processo de julgamento.
A contratação de um jogador acusado de envolvimento em um homicídio choca os adultos, mas para as crianças a ação tem um reflexo muito maior do que a perplexidade. O crime ocorreu em 2010, ou seja, muitos garotos, hoje amantes do futebol, na época ainda estavam saindo das fraldas e podem ter Bruno como um ídolo ou exemplo de superação e força de vontade. Isso é ruim para a formação da nossa sociedade. O acusado, que sequer mostrou arrependimento com a morte da amante, e ainda oculta o seu cadáver, deve ficar longe do universo infantil - no qual o futebol tem grande alcance. Ele é o grande exemplo a não ser seguido.
O Boa Esporte fala em ressocialização. Sim, ela deve existir, depois que o condenado cumprir sua pena. Sendo assim, há muitos ex-detentos que passam por dificuldade de se reposicionar no mercado do trabalho, então, por quê não contratá-los? Simples. O objetivo do Boa Esporte, pelo que tudo indica, foi o de divulgar o nome da marca. A velha máxima de "falem mal, mas falem de mim", só que utilizada sem limites e como um cuspe que volta à própria testa. Vale ressaltar que a contratação de Bruno é legal perante a lei, mas passa longe de valores éticos, por isso a revolta da sociedade.
Quando perguntados se não imaginavam a repercussão negativa que a contratação do jogador poderia causar, os dirigentes do Boa Esporte fazem "cara de paisagem" e dizem não entender tamanha revolta. É simples. Vocês deram um tapa na cara de toda sociedade e reforçaram a nossa falha Justiça.