Apagar a chama do amor de um modo momentâneo ou definitivo pelas flechas envenenadas de palavras cheias de sarcasmo atiradas um contra o outro é muito frequente. Na música Brigas, interpretada pelo cantor Altemar Dutra, há na letra este trecho: "Brigo eu, você briga também por coisas tão banais, e o amor, em momentos assim, morre um pouquinho mais".
Marido e mulher recostados na cabeceira da cama, ela folheando uma revista e ele tentando dobrar o jornal: "Querida! Você se lembra como a gente era feliz há 30 anos?" Ela: "Idiota! Como eu vou lembrar se há 30 anos a gente nem se conhecia!" Ele, de modo irônico: "Por isso mesmo!" Apagaram o abajur, o fogo do amor apagou e o sono custou a chegar. A poesia Há certas horas... de William Shakespeare nos refresca e nos dá a dimensão da nossa fragilidade: "Há certas horas em que não precisamos de um amor. Não precisamos da paixão desmedida. Não queremos beijo na boca. Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado sem nada dizer. Há certas horas, quando sentimos que estamos para chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir. Alguém que ria de nossas piadas sem graça. Que ache nossas tristezas as maiores do mundo. Que nos teça elogios sem fim. E que, apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável... Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado. Alguém que nos possa dizer: acho que você está errado, mas estou do seu lado. Ou alguém que apenas diga: sou seu amor! E estou aqui!"
Na realidade, nos casamos mais com os defeitos do que com as virtudes para sermos preenchidos, mutuamente, daquilo que nos falta. Pra viver junto sem divorciar é recomendável levar em consideração a filosofia da música sertaneja: Tá Ruim, Mas Tá Bom. Querida! Reacenda ou mantenha a chama do amor com o coração cheio de promessas, de poesia e de alegria no Dia Internacional da Mulher.