O dia promete ser agitado amanhã em vários lugares do País. Isso porque centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais querem promover uma paralisação como forma de protesto contra as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo governo Michel Temer. Embora atos públicos estejam sendo esperados nas capitais e grandes cidades brasileiras, inclusive o maior deles é previsto em São Paulo, na Avenida Paulista, o Alto Tietê não passará incólume pelo jeito.
Em Mogi, a promessa do Sindicato dos Rodoviários é interromper o serviço dos ônibus municipais da meia-noite às 7 horas, permanecendo os funcionários que trabalham neste turno parados nas garagens das concessionárias. Ainda que seja por um período curto, não há dúvidas de que causará transtornos aos passageiros. Principalmente porque outros meios de transporte também poderão ter suspensão temporária dos serviços, como trem, metrô e ônibus intermunicipais. Em Suzano, parte dos professores da rede municipal prometeu não dar aula e se juntar em São Paulo ao que está sendo chamado de "dia nacional de luta".
Ou seja, mais uma vez, é a população que vai sofrer as consequências. Ninguém questiona aqui o direito de ser contrário ao que propõe o governo federal, porém, novamente, vem à tona a discussão se esse método resolve. A parcela da população brasileira que clamou diversas vezes nos últimos dois anos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, pelo combate à corrupção, pela defesa da cidadania e contra desmandos, violência, miséria e tantas outras mazelas nacionais promovia suas manifestações aos domingos, sem praticamente nenhuma participação de entidades sindicais. Ainda assim se fez ouvida, com milhões de pessoas nas ruas e sem qualquer bandeira ideológica ou partidária. Não precisou interromper serviços públicos nem faltar ao trabalho para protestar.
Esse foi um exemplo até então não evidenciado que pareceu ter dado certo. Se a causa é legítima e não porque atende a interesses escusos ou de partidos políticos, não há dúvida que um protesto assim atrairia todas as camadas da sociedade, mesmo se ocorresse em um fim de semana.
As manifestações de 2015 e 2016 mostraram como a população pode protestar sem prejudicar os demais. A velha prática da greve está ultrapassada há tempos. Todos são parte da mesma nação, sindicalizados ou não, filiados a partidos ou não. Ninguém é melhor ou pior pela ideologia política que defende ou mesmo por não ter nenhuma. Essa lição parece ser difícil de ser aprendida por muita gente ainda.