A Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, enfraqueceu a imagem da carne brasileira. Já não bastasse o escândalo de corrupção que envolve a maior estatal brasileira com repercussão negativa mundial, agora se coloca em xeque a qualidade da carne brasileira.
É óbvio que existem irregularidades e empresários inescrupulosos no setor frigorífico e que a corrupção da fiscalização, infelizmente, não chega a ser uma surpresa. O problema é a dimensão que as notícias tomam.
O senso comum no Brasil e fora dele é que a carne produzida e vendida aqui não presta, é podre e tem papelão e restos de animais na composição dos embutidos, o que vai de encontro ao imaginário popular e ganha força nas redes sociais. O problema é que ninguém quer saber onde foram encontradas as irregularidades.
Generalizou-se que a qualidade é ruim e a operação enfraqueceu a imagem da carne brasileira. O destaque negativo no noticiário local e a facilidade de informações via web contaminaram a imagem do produto brasileiro. Resultado: JBS (Friboi, Swift e Seara) e BRF (Sadia e Perdigão), as duas maiores produtoras de carne e detentoras da maior fatia do mercado nacional e de exportação, são obrigadas a gastar montanhas de dinheiro para anunciar em pleno intervalo do Jornal Nacional e assim tentar reconstruir a imagem de qualidade e higiene de seus produtos. Mais um estrago que a corrupção sistêmica provocou no sistema produtivo brasileiro.
A imagem é um patrimônio imaterial construído a duras penas e ao longo de anos. Sua destruição pode ocorrer em poucos dias ou mesmo horas. Depois da explosão na Imprensa de más notícias, a reação internacional foi instantânea: não consumir carne brasileira. O impacto disso ainda não foi mensurado, mas a economia com a corrupção, certamente, não compensará o dano à imagem geral da carne no Brasil.
Parabéns aos gênios que, para economizar uns trocados corrompendo autoridades sanitárias, destruíram a já desacreditada e combalida imagem da carne brasileira.