Mais uma vez, sobrou para nós, trabalhadores comuns. Se você não é servidor público municipal ou estadual, se não é bombeiro, policial militar ou trabalha na Forças Armadas, então terá de trabalhar mais para se aposentar. Terá de incluir nos planos da sua vida mais uns dez anos de trabalho para conseguir a sonhada aposentadoria, que não lhe pagará mais do que R$ 5.189,82 por mês, que é o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - isso se você for um dos melhores contribuintes durante algumas décadas.
Nesta semana, para ceder a vontades políticas e tentar forçar a aprovação da medida no Congresso, o presidente Michel Temer (PMDB) anunciou que o projeto de reforma da Previdência não incluirá os servidores estaduais e municipais. Sendo assim, nada mais nada menos que 86% dos servidores brasileiros ficarão de fora da reforma. Povo de sorte esse que passou em concurso ou foi indicado para um cargo comissionado e goza de benefícios inimagináveis pelos demais brasileiros. Só este ano já conquistaram um belo aumento salarial, ao contrário dos demais trabalhadores, que se seguram como podem para não serem demitidos devido à crise econômica.
Triste ver que na hora em que o País mais precisa é logo quem tem mais que oferece menos. A Previdência Social, segundo o próprio governo federal, está agonizando. Ela não consegue mais dar conta do pagamento de aposentadorias e pensões e, por isso, é necessária a reforma, com maior tempo de contribuição e exercício para os segurados. No entanto, tem uma turma que bate o pé e não quer participar dessa "vaquinha", desse "esforço coletivo" para salvar a Previdência. Que a classe média, a baixa e os miseráveis se matem para pagar os impostos e, com isso, garantir os seus salários e empregos estáveis.
Nos últimos anos, temos vistos centenas de grupos serem criados para defender vários tipos de crenças, pontos de vistas, ideologias, partidos, religiões, etc. Cada vez mais, tudo que falamos, escrevemos ou "pensamos" vira alvo de críticas e protestos de algum grupo que se sente ofendido e cobra igualdade de tratamento. Para eles, é preciso tratar todos com igualdade.
Por que essa força em buscar Justiça não vale para todos? O primeiro passo para sermos iguais é tratar todos da mesma forma. Qual a diferença entre um mecânico e uma telefonista da prefeitura? Entre um professor e um policial? Entre uma empregada doméstica e um juiz? Os discursos de igualdade são lindos, mas quem quer colocá-los em prática? Michel Temer foi o primeiro a dizer: "eu não".