Algumas das qualidades mais estimadas de um ser humano sempre foram a atenção e a dedicação, principalmente na hora de se prestar serviços. Antigamente, pessoas até se vestiam com as melhores roupas para ir a uma agência bancária, por exemplo, já que neste local só havia profissionais respeitados, como gerentes inteligentes e atenciosos com seus clientes, secretárias prestativas, escriturários talentosos e até mesmo estagiários esforçados. Hoje, uma agência bancária se parece bastante com a hora do recreio de uma escola pública, uma feira livre no centro da cidade ou ainda uma estação de trem lotada.
O atendimento simplesmente não existe mais. O que vemos dentro de um banco hoje são cenas repetitivas, como pessoas ameaçando tirar a roupa porque não conseguem passar na porta giratória; idoso que espera horas na fila e quando chega sua vez descobre que está na agência errada ou que faltou um documento; funcionários fora de suas cadeiras e que só aparecem para pegar a marmita entregue por um motoboy; e jovens, vestidos como se estivessem num baile funk, entregando senhas aos clientes sem qualquer força de vontade, mostrando total desinteresse pela profissão.
Essas cenas ocorrem todos os dias, principalmente em bancos movimentados, como a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil, mas também em estabelecimentos privados. Esqueça, nenhum gerente te atenderá exclusivamente ou lhe servirá um cafezinho, os tempos mudaram. Agora, você será atendido por uma jovem de 18 ou 19 anos, com fone de ouvido, mascando chiclete e que não sabe resolver seu problema. O caos foi instaurado dentro dos bancos e não parece deixá-lo tão cedo.
Uma pena que tais estabelecimentos financeiros sigam na contramão da evolução. Os bancos param, todo ano, para cobrar um reajuste digno aos seus funcionários. Os lucros são os maiores do País e batem recorde todos os anos. Mesmo assim, a ganância faz com que detalhes importantes, como o respeito ao cliente, sejam deixados de lado. O importante é faturar, fazer a pessoa abrir uma conta, pagar uma taxa por serviços, pegar um financiamento, pagar juros altíssimos e não ter opções de fugir dessas obrigações.
O único jeito de não se aborrecer com os bancos é não sendo cliente deles, algo impossível, uma vez que empresas já pagam os salários por meio de contas bancárias. Se elas pagassem em dinheiro, muita gente voltaria a guardar dinheiro em cofres ou no colchão. O pior é que ninguém defende a população contra os bancos, nenhum vereador ou político. Quem tem mais (dinheiro) pode mais, e ponto final.