Em que pese a crise que assola a economia brasileira, nos últimos dias muito se tem comentado sobre a crise do Congresso Nacional, a mais vergonhosa e preocupante de todas. No caso, a mais vergonhosa pois os representantes do povo e dos Estados são os envolvidos diretos em escândalos variados, muitos deles acusados de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
O problema é institucional e diretamente relacionado a ausência de transparência, desrespeito ao dinheiro público e desarranjo dos Poderes da República, tornando o Brasil uma nação que carece de solidez em sua democracia, consagrada na Constituição Federal.
A operação Lava Jato, em especial, escancarou a triste realidade da política de corrupção sistêmica, sendo poucos os parlamentares não mencionados nas delações premiadas ou denunciados, o que nos faz - eventualmente - perder a fé de que estamos no caminho do crescimento.
Tamanha operação, contudo, nos faz acreditar que há, sim, esperança e que há instituições sérias em constante trabalho para corrigir os erros até o momento descobertos. Preocupações políticas, a mercê da superioridade do interesse público, acrescidas de troca de favores e da ganância pelo ganho desenfreado fizeram com que chegássemos ao cenário atual.
Deste modo, é nítido que enquanto o Congresso Nacional e seus parlamentares não atuarem em prol dos cidadãos, este se enfraquecerá e o Judiciário e o Executivo tomarão seus papéis efetivamente.
Contudo, engana-se quem pensa que é momento de cruzar os braços e assistir ao "circo": é momento de reconstrução política e democrática, ainda que não acreditemos em nossos eleitos. É hora de rever a política e pensar o modo de construí-la para as próximas gerações, sob pena de estarmos fadados a estagnação e a perpetuação da política de corrupção.