A desigualdade social está diretamente ligada ao ritmo de crescimento e desenvolvimento social. Quanto mais igualitária é a divisão de oportunidades, emprego, bens, entre outros, mais fácil é construir políticas para o desenvolvimento dos países. Não, isso não é o início de um discurso socialista, mesmo porque é possível desenvolver essa linha de raciocício dentro do nosso sistema capitalista.
A desigualdade em si já faz parte do capitalismo, até certo ponto. Afinal, estimular o cidadão a crescer e se desenvolver por meio do estudo e trabalho, para que crie a ambição de enriquecer e ter sempre mais, é uma das funções do atual sistema. O problema começa mesmo quando o abismo da desigualdade fica tão grande que os próprios incentivos começam a ficar escassos. E essa desigualdade excessiva atrapalha o crescimento. Países menos desiguais têm perspectivas melhores em longo prazo. Então, o desafio é encontrar meios políticos que estimulem o crescimento e ao mesmo tempo diminua a desigualdade.
Quando o nível de pobreza de um país é muito alto, esse nicho menos favorecido tem pouco acesso à educação e acaba prejudicando o desenvolvimento daqueles que formarão a sociedade no futuro: as crianças. E esse círculo vicioso - que acontece graças ao pouco incentivo à Educação - faz com que o País fique patinando em suas próprias faltas de oportunidades e não ande para frente.
O foco na educação é apenas o "pontapé" inicial. Com um sistema educacional eficiente, o cidadão cresce mais consciente e tem melhores condições de fazer a diferença para um Brasil mais igual e justo. Mas, depois que a pessoa deixa a vida acadêmica, é preciso criar empregos de qualidade, já que a desigualdade pode estar em alta mesmo quando o nível de desemprego é baixo. Não por acaso, países desenvolvidos discutem constantemente aumentar o salário mínimo diante do fato de que mesmo pessoas empregadas continuam abaixo da linha de pobreza e dependendo de ajuda do governo.
São Paulo e Rio de Janeiro são dois exemplos de cidades que convivem com a desigualdade, onde um extremo da cidade não tem nada a ver com o outro. Periferias vivendo com falta de espaço de lazer, violência, descaso do governo, falta de escolas, saneamento básico, etc.; enquanto a poucos quilômetros, na mesma cidade, o cenário é completamentente diferente. É como se fossem dois países diferentes ocupando a mesma região. Esse cenário é antigo em muitas cidades do País e já deveria ter sido contornado há muito tempo.