Há os que aplaudem, há os que deploram!
Diferentemente de outros tempos em que o Carnaval era unanimidade entre os que professavam credos que a ele não se opunham, hoje se tornou polêmico.
De um lado há os que exaltam a tradição da festa que já foi popular; os que esperam nos anonimatos de suas vidas o momento de ligeira fama ; os que veem o momento de Momo com olhares lucrativos, que aplaudem o afluxo de turistas, bem como a venda de escusas mercadorias.
De outro os que se consomem em criticar o espetáculo carnal, a liberação do corpo, a permissividade exagerada, que no rastro do século que vivemos o identifica.
Verdade que nada justifica a política governamental de, como nosso suado dinheiro, brindar os foliões com 80 milhões de "camisinhas", como a bradar que no País se liberou a "transa total", que não limites para a satisfação corporal, que transformaram-se os salões e ruas em palcos de bacanais, em um grande prostíbulo.
Enem se diga que há o empenho em combater a Aids, eis que as campanhas, durante o resto do ano, são acanhadas e sem a mínima estrutura.
E nem se insinue que se busca evitar a gravidez precoce que poderia advir de rápido romance, ou de desejo saciado.
As crianças mães frutos do descaso estatal se proliferam pelo País sem políticas públicas a evitar essa mácula que nos assombra. O turismo sexual, sexual, infelizmente, para nossa vergonha se tornou chaga que não cicatriza.
Ademais, o custo elevado das agremiações de samba, quase que sempre subsidiadas de maneira ilegal, amparadas por facínoras de todos os naipes, fez com que a aura que pairava sobre o carnaval, atando-o, inexoravelmente à população mais carente, perdesse o brilho, se fosse. Há sim razões de sobejo para que aquele que cresceu ao som das marchinhas polemizar, criticar as nuances atuais dos bailes e desfiles de rua.
No fundo, porém o sangue brasileiro, que se encanta com a jinga e com o samba, deixa tudo isso para lá. Carnaval é Carnaval. E estamos falados!