Na sala de espera de um consultório de oftalmologia sobressaía um quadro com os seguintes dizeres: "80% de tudo o que as crianças aprendem em seus primeiros 12 anos é por meio dos olhos". Elas adquirem conhecimento sem ter ainda maturidade para o discernimento.
O cérebro desse período de idade se assemelha a uma peneira grossa que deixa passar toda novidade ao alcance do olhar; só mais tarde, no longo período da adolescência, quando adquire a capacidade de escolher, a peneira se torna, em sua trama, cada vez mais fina para impedir os cascalhos inúteis e prejudiciais da vida de entrar e de contaminar os valores morais e espirituais que estão se processando.
O apóstolo Paulo nos adverte: "Não vos enganeis as más conversações, com más companhias, corrompem os bons costumes" (I Coríntios 15: 33). A acupuntura ensina que a língua é formada do coração, razão de Jesus falar contra a hipocrisia dos fariseus dizendo que a boca fala do que está cheio o coração: se for do bem sai coisa boa, se do mal, torpeza. A grande brecha no muro das nossas convicções é pensar que somos blindados o suficiente para resistir a qualquer investida do mal.
Paulo reconhecia suas brechas ao afirmar que quando se sentia fraco, aí que era forte, porque pedia e recebia de Jesus a força, aperfeiçoada na fraqueza, para impedi-lo de pecar. A garota de 15 anos, ajudada pela amiga, insistiu com mãe por vários dias para deixá-la ir numa "baladinha" dos colegas da escola, cansada de negar acabou deixando-a ir. No dia em que estava saindo pra "festinha" a mãe recomendou: "Divirta-se, mas tenha juízo!" Ela retorquiu: "Ah, mãe! Uma coisa ou outra!".
No conceito moral dos tempos atuais, a maioria dos jovens acha que as duas coisas não podem andar juntas: bom senso e divertimento; desejam soltar as rédeas do instinto já aquecido pelos hormônios à flor da pele.
Balada, hoje, para a grande maioria só tem graça se acontece numa mistura maligna de som de muitos decibéis, regada de muita bebida, droga e sexo.