As tarifas das linhas intermunicipais que atendem as cidades de Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Poá, Mogi das Cruzes, Guararema, Biritiba Mirim, Salesópolis e Suzano, por meio do Consórcio Unileste, comandado apenas pela Radial Transporte, voltam a subir neste domingo. Um reajuste médio de 6,64%, com valores que variam de acordo com o trajeto percorrido. Enquanto isso, a qualidade do transporte continua deixando a desejar, como mostrou a matéria publicada esta semana sobre atrasos e lotação na linha que faz o trajeto entre Salesópolis e Mogi. A Radial foi advertida pelo descumprimento dos horários estabelecidos, segundo a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).
Para bancar este aumento, o governo estadual enfrenta desde janeiro uma batalha judicial. Logo que foi anunciado, o reajuste acabou suspenso por uma liminar, o que obrigou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) a voltar atrás, como também ocorreu com as tarifas de integração do transporte público na capital paulista. Um dos pontos a favor da liminar foi a manutenção do valor da passagem cobrada nos trens e metrô, e ainda da tarifa nos ônibus de São Paulo, como prometeu durante a campanha o prefeito João Doria, também tucano.
Uma nova decisão liberou, na última sexta-feira, o reajuste intermunicipal, mantendo apenas a suspensão do aumento dos valores cobrados na integração. Vamos aguardar os próximos capítulos dessa verdadeira novela, que leva em conta interesses que vão muito além do desejo de pagar um preço justo por um transporte de qualidade, já que na capital ainda se estuda o fim dos cobradores, como ocorreu em Mogi e até mesmo na linha intermunicipal entre a cidade e Suzano, e uma tarifa diferenciada para quem paga em dinheiro, acrescida em cerca de R$ 0,20.
Esses imbróglios mostram como o transporte público é um nó difícil de resolver, seja para o Estado ou os municípios, tanto que o aumento ainda segue indefinido na maioria das cidades da região.
Apenas Mogi e Suzano já praticam novos valores, ambas foram de R$ 3,80 para R$ 4,10. Na primeira, uma ação popular pede a suspensão do aumento que começou a valer no dia 29 de janeiro. Um embate que se arrasta há alguns dias e aguarda a decisão da Justiça. E enquanto não há decisão o aumento permanece. A exceção foi Ferraz de Vasconcelos, onde, diante de uma grave crise econômica, o prefeito José Carlos Fernandes Chacon (PRB), o Zé Biruta, manteve o valor em R$ 3,80. A perspectiva, porém, é que em breve sejam anunciados novos aumentos no Alto Tietê.