O governo do presidente Michel Temer (PMDB) tem mostrado que não é diferente do anterior, de Dilma Rousseff (PT). Infelizmente, a cada dia que passa a decepção do brasileiro vai aumentando. Somente nos últimos dias, duas atitudes de seu governo provaram que a diferença entre PMDB e PT estão apenas em algumas letras dos partidos.
Quando Dilma e Lula decidiram indicar o nome de Edson Fachin para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2015, grande parte da população ficou chateada, pois a decisão que deveria ser por mérito ou competência parecia ser de interesse do PT, uma vez que Fachin teria laços com a legenda, além de ser amigo próximo de Lula.
Esta semana, Temer indicou o nome de Alexandre de Moraes, que é ministro licenciado da Justiça, para a vaga de Teori Zavascki, morto em um acidente aéreo em Paraty. Ele é figura certa dentro do governo do PSDB e PMDB há anos, tendo sido braço direito de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo e até de Temer em Brasília. Ou seja, o pensamento parece ter sido "se eles fizeram, nós também podemos fazer". Com isso, o governo entristece grande parte das pessoas que acreditavam que o Brasil seguiria um rumo diferente.
Outro fato repetido. Em 2016, quando investigado pela Operação Lava Jato, Lula foi nomeado por Dilma como ministro. A indicação era, na cara dura, para salvar a pele do ex-presidente da República, pois ele teria foro privilegiado. Há poucos dias, Temer fez o mesmo ao indicar para a Secretaria Geral da Presidência Moreira Franco (PMDB), que teve o nome citado em delações da Odebrecht na Lava Jato.
Essas e outras medidas iguais a dos petistas mostram que não há forma mágica de se governar, mas que políticos também não abrem mão do poder que têm para beneficiar amigos e aliados. Independentemente de crise, a política continua sendo feita, com suas artimanhas e técnicas muitas vezes traiçoeiras, irritantes e tendenciosas.
Uma nova política é esperada pelos brasileiros, mas parece impossível conquistá-la tendo os mesmos nomes nos governos. Políticos, como qualquer outros profissionais, têm seus vícios. Eles gostam e sabem jogar. Fazem da política uma forma de mostrar o quanto são poderosos. Basta lembrarmos das tantas artimanhas realizadas por Renan Calheiros ou Eduardo Cunha, que sempre tiravam coelhos da cartola e conseguiam beneficiar o seu lado e o de seus aliados.
Enquanto gente está morrendo, ficando desempregada, comendo o pão que o diabo amassou, eles continuam jogando e tentando se perpetuar no poder.