Dona Marisa Letícia morreu na última sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017, em decorrência de acidente vascular cerebral e suas implicações, depois de ficar dez dias internada na UTI do Hospital Sírio Libanês.
Entendo que cabe a cada um de nós, especialmente aos mais próximos, oferecer à família enlutada os sentimentos e os pêsames, orar, apoiar, dar força e o ombro amigo em hora tão difícil.
É o mínimo que se espera de pessoas de bem, mesmo de adversários políticos e, quem sabe, até de inimigos honrados - quem assistiu ao filme Troia pode ter aprendido o que é honra ao enfrentar a morte.
Mas é preciso observar que esta ocorrência prematura e triste descortinou mais um palco que evidencia vivermos o imponderável neste país: brincadeiras e deboches de extremo mau gosto com a moribunda e depois, com ela já falecida; políticos e grupos tentando obter alguma vantagem ou crédito político a partir da tragédia pessoal, e oportunismo em críticas ao sistema público de saúde, dentre outros.
No meio das piadinhas e abordagens que fazem asco há que se destacar as que envolveram a doação dos órgãos da falecida pela família - por exemplo, alguém divulgando uma foto com a mão do Lula e a parte faltante do dedo completada pela de D. Marisa, com unha e esmalte: meu Deus! -, pois se ao menos houvesse noção da consciência que tem quem doa órgãos, da dor e sofrimento potencializados que a família sente no processo para a efetivação da doação e do benefício e alegria incomensuráveis que causa aos receptores, creio que só os desumanos confessos teriam coragem de brincar com isto. Ora, ninguém deve se regozijar com a morte, nem mesmo se for de adversários e inimigos.
A que ponto chegou nossa sociedade para lançar mão de práticas tão torpes, sórdidas? Respeitemos a família enlutada! Isto não quer dizer que qualquer de seus membros deve ser poupado de responsabilidades próprias: cada um deve responder até ao fim pelos seus atos, mas todos, indistintamente, merecem respeito na hora de enfrentar a morte!