Algo que se supunha que poderia acontecer, realmente, teve início. Assim como no Espírito Santo, familiares de policiais militares do Rio de Janeiro também começaram um protesto em frente a batalhões para impedir que os agentes saíssem. Claro que não teve a mesma força registrada no Estado vizinho, suficiente para suspender a atividade policial em várias cidades, mas foi uma amostra de que a insatisfação com as condições de trabalho desses profissionais é algo comum no Brasil inteiro.
Os resultados terríveis da paralisação da Polícia Militar capixaba indicam que este não é, nem pode ser, o caminho para que a situação mude e melhore: mais de uma centena de assassinatos, saques, suspensão de aulas e de serviços públicos, medo e insegurança, ou seja, o caos completo estabelecido. Ficou evidente como a população é dependente dos policiais, tanto para garantir uma relativa sensação de segurança, como também para inibir pessoas comuns de revelarem suas índoles questionáveis na ausência deles praticando atos delituosos.
No Rio de Janeiro, os protestos começaram tensos nas ruas, com mascarados agindo violentamente contra tudo e todos, mas a manifestação dos familiares nasceu e continua tímida. Ainda que se esforçassem, o índice de policiais trabalhando era alto. Mas em um Estado tão marcado pela violência que beira o descontrole é inadmissível que se cogite parar a atuação desses profissionais, assim como em outros locais com os mesmos problemas e que são tão grandes quanto ou maiores que o Estado fluminense.
Em São Paulo, boatos surgiram nos últimos dias dando conta de que a onda poderia vir para cá. De igual maneira, como policiais não podem entrar em greve, sob pena de prisão, o expediente para a paralisação seria o mesmo: participação de cônjuges, filhos e pais dos agentes. Aqui no Alto Tietê essa possibilidade não é nem ventilada. A própria responsável pelo Comando de Policiamento de Área Metropolitano (CPA/M-12), coronel Mônica Dias Ferreira, trata como algo inexistente: "Existem outras formas que não coloquem em risco o cidadão, nossos familiares, os próprios policiais e também o patrimônio das pessoas. Somos necessários para a manutenção da paz e da ordem. E a população pode contar conosco".
É inevitável que passe pela cabeça das pessoas se algo semelhante poderia ocorrer por aqui. Nos resta confiar nas autoridades e acreditar que os políticos estão empenhados em melhorar as condições dos policiais e fazer de tudo para que episódios assim nunca mais surjam.