O principal período festivo da cultura brasileira teve início oficialmente ontem. Grande parte da população usa e abusa dessa época, muitos de maneira inconsequente, outros como forma de extravasar, de esquecer o trabalho, os problemas e as preocupações.
Há bailes com marchinhas, desfiles de escolas de samba, trio elétrico, blocos de rua, concursos de fantasia, enfim, tem de tudo para agradar quem espera o ano inteiro pelo Carnaval. Mas há também quem não goste, que prefira viajar, passear em parques, em shoppings, ir ao cinema ou mesmo ficar recluso em casa. Tudo isso está arraigado na vida do brasileiro e, certamente, não deve mudar.
Da mesma forma, é uma época agitada, de muito consumo de álcool e de imprudências no trânsito. E aí o que se observa são consequências tristes, como acidentes e mortes. Isso também, infelizmente, não parece que vai mudar tão cedo.
Outro aspecto contestável, principalmente por aqueles que não gostam de curtir o período é a máxima de que o País para e que só volta ao normal depois do Carnaval. E é exatamente o que acontece. Terça-feira não é feriado, é ponto facultativo na maioria das cidades. Na prática é como se fosse.
No que diz respeito à economia, o Brasil está muito devagar. Muitas empresas não têm perspectivas, milhões de pessoas seguem desempregadas e correndo atrás de um ganha pão e o Carnaval segue seu ritmo. O bem da verdade é que nem na Quarta-feira de Cinzas tudo é retomado, fica mesmo para a outra segunda-feira.
Praticamente tudo é suspenso. No Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal e no Palácio do Planalto várias novidades surgiram rapidamente, antes da chegada da festa do Momo, claro; agora que já está tudo definido - ministro que sai, ministro que entra, presidentes eleitos para Câmara e Senado, delações premiadas homologadas - então uma pausa merecida. Será mesmo?
O País segue seu ritmo, quase empurrando com a barriga ao som de um baticum, disfarçando o que é indisfarçável. A alegria de uns talvez não contagie os demais. As incertezas permanecem, principalmente se tudo será realmente retomado depois do Carnaval, que pode dar lugar a uma cantilena deprimente, nada empolgante nem reconfortante.
O clima de que nada mais importa não pode vingar, ao mesmo tempo em que a tristeza não pode imperar. É difícil, muito. Só resta esperar. Esperar o Carnaval passar e ver o que irá acontecer.