Ser criança é aprender a todo dia uma coisa nova e vibrar pela descoberta. Ser criança é subir uma escada rolante várias vezes como se não houvesse mais nada a fazer na vida.
É repetir a brincadeira simples, ingênua e gargalhar em todas as repetições. É demonstrar suas emoções sejam elas quais forem.
Vibrar de alegria quando chega aquela pessoa que faz diferença em sua vida. Chorar copiosamente quando ela vai embora, nem que seja por cinco minutos e aí repetir a vibração da chegada tudo de novo.
Cantar e dançar sem medo de parecer ridículo e ainda arrastar aquele adulto que nunca deu um passinho na vida, mas que não resiste ao encantamento de uma criança.
É encontrar magia nas situações mais simples do nosso dia a dia de adultos, como, por exemplo, um passarinho pousando em uma árvore. É falar com estranhos como se conhecessem há muito tempo. Rir para eles e deixar se levar pelas brincadeiras mais bobas, como o divertidíssimo "lá vai o gato atrás do rato", esperando ansiosamente o momento das cócegas.
Perguntar tudo o que quiser, sem pudor, sem ressalvas, apenas pela ânsia do conhecimento, sendo sinceros nos seus questionamentos mais profundos.
É abraçar envolvendo o pescoço do outro de uma maneira única, forte, intensa. Criar histórias com personagens ao nosso ver estranhos, mas que têm todo sentido na formação desse ser tão especial. Ficar com raiva do amiguinho e dali a um segundo já estar de amores com ele, sem mágoas que corroem nossos corações, às vezes, duros.
Que nos envolvamos sempre com a criança que já fomos, mesmo quando achamos que somos adultos demais e que ela está tão distante de nossas vidas.
Se buscarmos lá no fundo, ela estará ali louca para fazer tudo que nossa idade física nos limita. E quando cito limites quero dizer aqueles que vivemos construindo: vergonha de parecer ridículos, muros construídos e intransponíveis, dureza no agir, muitas vezes.
Como diz Oswaldo Montenegro: "É preciso envelhecer brincando de roda". É isso que quero para mim: deixá-la sempre viva, pulsante. E vocês?