Após a homologação das 77 delações premiadas de executivos e ex-executivos da Odebrecht na Lava Jato feita pela ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e a continuidade do processo por parte da equipe do ministro Teori Zavascki, morto no mês passado em um acidente aéreo, as expectativas da população em relação às consequências que mais uma etapa da operação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal poderá causar só aumentam.
É um sentimento de grande parte dos brasileiros, ainda mais neste momento de forte crise econômica, de ver punidos os políticos e as pessoas do grande empresariado nacional envolvidos em atos de corrupção, se assim for comprovado nos autos dos inquéritos da Justiça Federal, personificada na figura do juiz Sérgio Moro.
Por outro lado, a iminência dos impactos do conteúdo de tais delações está criando um temor e tanto. Nas palavras do procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante resistente da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, as revelações vão causar um verdadeiro tsunami e confirmar que a corrupção descoberta na Petrobras existe em todos os níveis de governo.
Justamente por causa dessa previsão, muita gente já começou a se movimentar para uma tentativa de blindar o máximo possível os envolvidos no Congresso Nacional. Como a Câmara e o Senado são responsáveis por recomendar ao plenário a cassação de mandato de deputado federal e senador, respectivamente, por quebra de decoro parlamentar, que em tese estaria configurada a partir da confirmação nas delações premiadas do envolvimento em atos de corrupção, partidos pretendem concentrar esforços nesses tribunais legislativos para minimizar os estragos à vista. Estima-se que mais de uma centena de nomes será atingida, sem contar os das empreiteiras.
Ora, no momento em que a Lava Jato se desdobrará em novos e tenebrosos episódios, resvalando em lideranças de legendas diversas, e passaria a praticar ainda mais justiça com a responsabilização de quem pilhou o erário, o dinheiro do povo, o que se percebe é um cooperativismo entre partidos, deputados e senadores para se livrarem de qualquer punição. É vergonhoso.
Como no dito popular, se assim agem é porque realmente têm culpa no cartório. E será ainda mais vergonhoso se o Poder Judiciário não tomar providências para evitar essa tentativa escancarada que poderá ser salvadora para os envolvidos e frustrante para a população.