Sem conhecimento da realidade das pessoas em situação de rua, nos deparamos com o preconceito da sociedade. É comum ouvirmos termos pejorativos como mendigos, moradores de rua ou andarilhos. São expressões coloquiais, mas inadequadas, que a população de modo geral e até a Imprensa utilizam, muitas vezes, sem a intenção de depreciar.
É necessário mais humanidade para compreender, com clareza, o problema da população de rua. Com um histórico social complexo, dramas familiares, exclusão, saúde debilitada (dependência química, alcoolismo), enfim, elas precisam de assistência para superar suas vulnerabilidades.
Mogi das Cruzes tem estrutura pública para abrigar esta população de rua. Contamos com 156 vagas de acolhimento, divididas em três casas de passagem e um abrigo institucional. Não estamos falando de albergues para pernoites apenas, mas de acolhimentos integrais, com acompanhamento de uma equipe psicossocial.
Contudo, ainda temos nas ruas homens e mulheres que não optaram pelo serviço de acolhimento ou qualquer outro apoio oferecido pelo município. Vale lembrar que o serviço de assistência social da prefeitura não pode agir de forma coercitiva, conforme determina a lei. Casos extremos de dependência química são direcionados para a Secretaria Municipal de Saúde, que solicita à Justiça autorização para internação compulsória.
Esta população em situação de rua é acompanhada dia a dia pela equipe do Serviço Especializado de Abordagem Social, o Seas, que atua das 8 às 20 horas, de segunda a sexta-feira, e aos sábados, das 8 às 17 horas. São realizadas rondas pelos principais pontos onde se concentra a população em situação de rua, com o objetivo de desenvolver um trabalho técnico para a análise das demandas, com orientação individual e grupal e encaminhamentos a outros serviços socioassistenciais e das demais políticas públicas que possam contribuir na construção da autonomia, da inserção social e da proteção às situações de violência.
Tirar estas pessoas das ruas, para que possam reconstruir suas vidas, é um dos grandes desafios de qualquer administração municipal. Importante que a sociedade tenha consciência disto e contribua com mais compreensão e menos preconceito.