Por mais que se queira mascarar, com o simulacro que rico também é preso, a realidade é que no Brasil o peso da cadeia recai com frequência absurda no lombo do despossuído.
Não bastassem as estatísticas que comprovam que a imensa maioria dos encarcerados no país emerge da classe pobre, há que se considerar ainda aquilo que vem sendo apurado nas diversas operações que têm defenestrado o bando de vigaristas que corrompiam os erários federal e estadual.
Nesse passo, causou furor na mídia a prisão do antigo megaempresário Eike Batista, que não se amoldando aos benefícios outorgados por lei, se viu obrigado a cumprir "cana" em estabelecimento prisional comum.
De início foi levado ao Presídio Ary Franco - "a masmorra", de onde foi transferido para Gericinó.
Relembrou a reportagem que estampou o assunto da situação de penúria daquela unidade, onde os reclusos são obrigados a dividir as fétidas celas - muitas subterrâneas -, com ratos, baratas e morcegos.
Foi além, ao comentar que um determinado juiz da Vara das Execuções Criminais, após visitar o local, infectado por fungo presente nas fezes de morcegos, passou 20 dias em UTI hospitalar.
Interessante que, salvo o magistrado, pese o exemplo claro de desleixo e periculosidade, o estado deu de ombros para a situação dos sentenciados, que continuaram a cumprir o calvário que lhes foi imposto.
Por certo existem aqueles que, dando razão à intolerância que grassa, dirão que bandidos que pertencem a facções criminosas - quase que a totalidade do presídio em questão - , não merecem qualquer contemplação.
Ainda temos, no entanto, um sistema que deve ser prestigiado, eis que advindo da vontade popular, preconizando ele o tratamento do homem que errou com a justiça necessária.
Há que se convir que, deixar-se aquele que, dizem os credos, traduz a imagem e semelhança de Deus, em situações tão degradantes, ferem todos os princípios, quer legais, quer morais.
Hipocrisia alegar-se surpresas com as revoltas penitenciárias!