Uma nova guerra começa a ser instaurada no País: Judiciário contra Legislativo. De um lado, os ministros soberanos, com seus pensamentos e decisões baseados na lei. De outro, deputados e senadores revoltados em perder, a cada dia, um amigo ou aliado para a Lava Jato.
O que políticos como o senador e líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) quer é, na prática, tirar os superpoderes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele e outros não querem ficar tão vulneráveis diante dos "homens da capa preta". Pois bem, para começo de conversa, sabemos que Jucá está envolvido em algumas irregularidades também.
A intenção dos senadores e deputados é levantar a bandeira de que ministros também podem ter cometido crimes, que eles não são soberanos e precisam ser investigados. A ideia é justa e tem fundamento. Se nós sabemos que a corrupção é um mal enraizado no brasileiro, por que acreditar que lá no STF ele não existe, ou nunca existiu?
Muitas irregularidades podem ter sido cometidas, mas, realmente, poucas foram investigadas. Apesar da medida parecer mais uma defesa de Jucá e seus colegas para diminuir a força das investigações contra a corrupção, ela tem seu fundo de necessidade para uma sociedade justa. Direitos são iguais, para todos.
O foro privilegiado e demais poderes conquistados fazem com que pessoas comuns possam ser manipuladas e capazes de manipular, de agirem por interesse próprio ou de um pequeno grupo, ficarem em um patamar inalcançável.
Aceitar medidas de Jucá ou de qualquer outro político envolvido em esquemas seria apenas uma resposta e uma afronta à Justiça. As atitudes devem ser pensadas, organizadas e realizadas no momento certo. Qualquer decisão agora seria precipitada, tendo em vista que o País realiza a maior investigação contra a corrupção de sua história. Nessa hora, muita gente está jogando suas últimas cartadas para se livrar de uma prisão.
De início, o que nós brasileiros temos de fazer é vigiar e defender nossas conquistas. A alteração do pacote anticorrupção, por exemplo, é um exemplo de como alguns políticos nos trapaceiam. Quase todas as dez medidas sofreram alterações e alguns deputados tentaram colocar seus nomes no projeto, que partiu de uma iniciativa popular.
É hora de mudar e de fazer a coisa certa, mas parece que estamos desacostumados em andar na linha. Até mesmo por isso, respeitar e acreditar em nossos ministros do STF não deixa de ser uma salvação.