O Supremo Tribunal Federal (STF) ganha um novo ministro, Alexandre de Moraes. Conhecido pelo magistério em cursos preparatórios para concurso e como professor na Faculdade de Direito da USP, alçou voo político muito bem sucedido que, após a turbulência no Ministério da Justiça, conseguiu pousar com segurança no melhor aeroporto jurídico do Brasil, o STF.
Com a garantia da vitaliciedade e podendo exercer a magistratura na mais Alta Corte brasileira até os seus distantes 75 anos, Alexandre tem tudo para escrever seu nome na história judiciária brasileira. Tucano de carteirinha até ontem, o novo ministro foi pupilo de medalhões políticos como o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o ministro Gilberto Kassab.
Alexandre prosperou na política e foi alçado a ministro da Justiça do governo Temer, agora nomeado ministro do STF com a chancela de alguns de seus futuros réus. Crítico do sistema de nomeação política, como qualquer jurista brasileiro, Alexandre foi beneficiado pelo mesmo sistema que tanto criticou.
Engana-se quem imagina que, como ministro, ele será o advogado na Suprema Corte daqueles que até ontem foram seu pares. Agora não há mais dependência do poder político. Também ninguém é ingênuo a ponto de imaginar que tomando posse como ministro, sua alma política será imediatamente desencarnada. Não sabemos o que virá, mas o fato é que Temer, até agora, tem conseguido emplacar tudo o que quis, presidente da Câmara, presidente do Senado, ministro do STF, reforma do ensino médio, teto de gastos, revelando que sabe, e muito bem, fazer política.
Por seu estilo, o novo ministro renderá muito assunto para a imprensa. Temer agora não responde mais por Alexandre. Aguardemos para ver qual a sua força política com as futuras e tormentosas reformas da previdência e trabalhista e com as delações da Odebrecht, que agora pode atingir o seu mandato no TSE. Agora, além de força política, é necessário o tão distante apoio popular que só será obtido com a retomada do emprego, da renda e do crescimento econômico.