Nosso ângulo de visão da vida está ficando cada vez mais fechado devido ao prato feito das programações da mídia, que foca violência e imoralidade em busca da disputa de audiência. Você não escolhe, você é escolhido e lhe roubam a capacidade de pensar, como na alegoria de um glaucoma social, que vai reduzindo gradativamente, se não for tratado, o campo visual da pessoa, até produzir a cegueira total.
A "tapa" que se coloca lateral aos olhos do cavalo, quando traciona a carroça, visa mantê-lo na direção almejada sem deixá-lo assustar-se com as coisas que o rodeiam. As metas obsessivas de produção são verdadeiras "tapas" a esconder de nós as boas coisas que nos dão a alegria de viver. O cinemascope foi uma tecnologia de filmagem lançada em 1953, e utilizava para projeção uma enorme tela côncava que ocupava todo o espaço da frente do cinema. Acabada a sessão, a gente saía sem levar a grande tela, hoje, eu não sei se é a gente que leva a telinha do celular para todo o lado ou é ela que leva a gente.
Será que não está na hora da gente voltar a ter uma visão mais ampla do mundo, ou seja, uma cosmovisão. Kosmós, em grego, significava ordem, disciplina, organização, harmonia e beleza, e Visio no latim é visão. Quando se fala em Cosmo incluímos o macro e o microcosmo. O filósofo grego Pitágoras foi o primeiro a utilizar o termo "cosmos" para se referir ao Universo. O astrônomo Carl Sagan define o termo cosmos como sendo tudo o que já foi, tudo o que é e tudo que será.
Há unidade na Trindade e diversidade na Criação. Cem bilhões de neurônios funcionam em nosso cérebro. A tecnologia pragmática está cada vez mais programando o ser humano a estar sempre conectado ao trabalho, sem dar tempo das sinapses dos seus neurônios transmitirem a química da arte do bem viver. A máquina é programada para fazer a coisa certa, mas só os humanos conseguem decidir entre o certo e o errado. A preocupação não é se robô pode virar gente, mas, sim, se gente pode virar robô.