O melhor começo para um texto não é uma pergunta. Contudo, o meu objetivo aqui não é fazer uma pergunta para provocar reflexão e, após, esboçar o que seria a minha resposta.
O que você faz para mudar a realidade da qual reclama? Ou, então: O que eu faço para mudar a realidade da qual reclamo?
O que me causa certo espanto, atualmente, eu confesso, porque nem sempre fui assim, é a percepção de quantas pessoas acham que exercem cidadania pelo simples fato de reclamar.
Reclamar é legítimo exercício da liberdade de expressão, mas reclamar não é trabalhar pela solução. Algumas reclamações mais elaboradas pedem solução, outras, ainda mais elaboradas, sugerem solução. Aqui existe um aditivo, é o ato de sugerir somado ao ato de reclamar. Porém, ainda não é ato de trabalhar pela solução. Proteste! Engaje-se!
O engajamento em alguma causa nos provoca certo desconforto com a inércia dos "reclamões". Eu reclamo também, reclamar é digno e é meu direito, mas parar por aí é pouco, não ajuda e não contribui para a solução. Ser conformado ou conivente com abusos é ainda pior!
Tenho para mim que cada um deve ter uma causa para lutar, uma causa para "chamar de sua" e por esta convicção arregaçar as mangas, ir atrás e mover o mundo para que a realidade mude. Que seja pelo direito das formigas anãs que necessitam de sapatos, lute por algo, faça, ajude, não perca o tempo limitado da sua vida apenas com reclamações tímidas e expectativas pelas ações dos outros, mesmo que o outro seja o Estado. Faça! Mesmo que não resolva o problema todo, faça! E, por favor, não se alie ao mais forte por covardia ou em busca de privilégios.
Certa vez, um menino lançava ao mar algumas "estrelas do mar" que pereciam na areia. O número de estrelas naquela situação era gigantesco. Um adulto passa e questiona ao menino que diferença fazia lançar ao mar algumas dentre tantas. E o menino respondeu: "para as que eu lancei, toda". Se você não vai mudar o mundo, faça a diferença para alguém. Coragem!