Deixar de produzir ao máximo para si, para sua família e pelo País por invalidez, por merecida aposentadoria ou mesmo por opção, são fatos compreensíveis e que nos rodeiam, num contingente administrável e natural. Mas, deixar de produzir por falta de oportunidade, de demanda, de emprego, de incentivo e de ação do governo é inaceitável, especialmente, num País que, hoje, tanto carece de produção e, mais do que isso, de alta produtividade, com qualidade e competitividade.
Ocorre que nosso governo, caracterizado por sua ingerência no mercado, parece não querer ou não conseguir criar meios para fomentar a produção. Temos acompanhado os segmentos de incorporação e construção, e observado a luta que tem sido para tentar salvar as empresas, sem auxílio direto, mas, com a necessidade de regulamentações e sistemas que possibilitem ao empreendedor investir com segurança.
Cada organização segue desempenhando o seu papel: os empreendedores desenvolvendo projetos viáveis e sustentáveis - ressalte-se que muitos destes, em regra, têm capacidade técnica, lastros jurídico, comercial e econômico-financeiro, além da necessária agilidade para projetar e produzir; os órgãos públicos nas aprovações e licenciamentos, que deveriam ser mais céleres do que nunca, e as instituições financeiras que deveriam, com o máximo respaldo do governo, financiar os projetos com custos adequados - para isto, principalmente, deveriam existir os bancos.
Na esteira do mercado imobiliário e de construção, em geral, estão todos os demais segmentos, também carentes dos mesmos elementos já elencados, cada um conforme a sua característica e necessidade de regulamentações e sistemas de controle, mas o fato é o que o tempo continua passando, e o Brasil experimentando uma crise jamais vista, alguns tentando minimizá-la por interesse ou otimismo, e o velho mercado sem demonstrar reação alentadora.
É mister que todos ajamos já, desde os que produzem, fazendo pressão através de suas associações a afins, de forma que o governo enxergue a urgência de medidas que fomentem a produção, sob risco de passarmos da profunda crise ao caos, e do caos ao colapso total. É a hora da coragem para agir, doa a quem doer, para o bem da maioria.