As pessoas tem vários posicionamentos diferentes, seja quanto à religião em que acreditam, a linha partidária que apoiam, o comportamento que adotam no dia a dia, e nem quando se trata do time de futebol é garantido que a paixão seja transferida de pai para filho. E são esses diferentes pontos de vista que movem a sociedade e devem ser respeitados, mas há que se cobrar responsabilidade, especialmente nas redes sociais.
Recentemente, a filha de um policial, de pouco mais de dois anos, morreu vítima de bala perdida no Rio de Janeiro. E uma professora, alguém que deveria zelar pela educação, o bom senso e o desenvolvimento de um pensamento crítico, usou as redes sociais para dizer que se tratava de "justiça divina" uma vez que o policial estaria envolvido em supostos crimes, reproduzindo o que ouviu em algum lugar.
Além da extrema falta de sensibilidade diante da perda da família, como ocorre agora diante da constatação da morte cerebral da ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, a professora se baseou em fatos duvidosos para expressar sua opinião. O critério, mínimo, para formar seu ponto de vista, para disseminar uma informação, não deveria ser apenas que ela traga algo com o que você concorde, mas, assim como prega o bom jornalismo, e é feito no Grupo Mogi News de Comunicação, a apuração que garante a credibilidade do noticiário que é levado ao leitor todos os dias.
Porém, hoje, o que se vê, em plena expansão, é a desinformação, a propagação de notícias falsas, que são reproduzidas, compartilhadas como verdades absolutas nas redes sociais. Não há preocupação com sua origem, se foi produzida ou não por um veículo de comunicação sério, se há um profissional que responda por aquela informação, mas sim se aquilo serve para reforçar um pensamento, que, na maioria das vezes, tem um forte viés na intolerância, no jogo de que apenas quem concorda com o seu ponto de vista está correto, está do lado do bem.
Todo cuidado é pouco, e assim como quem produz este tipo de conteúdo, quem compartilha boatos, calúnias e difamações também pode ser responsabilizado juridicamente. O Facebook, uma das principais redes sociais acessada pelos brasileiros, criou, no mês passado, uma opção para denúncia para quem tem inglês como linguagem principal do perfil: "it's a fake news" ("isso é uma notícia falsa", em inglês), após críticas sobre a influência de notícias falsas nas eleições americanas. É saudável discordar, promover o debate, e é imprescindível que isso ocorra com responsabilidade e respeito.