Debater com a sociedade é a melhor maneira que o Poder Público tem para chegar a um entendimento quando um assunto interfere na vida de todos e é necessária uma solução. Agir de forma intempestiva, intolerante e até mesmo leviana é muito comum de encontrar por aí, mas não se pode constatar isso entre aqueles que são autoridades, que estão em algum nível de liderança.
Um impasse que existe há muito tempo em diversos lugares é em relação à atuação dos motoristas que prestam serviço de transporte individual por meio do aplicativo para celular Uber. Em Mogi das Cruzes estava suspenso, por falta de uma legislação específica e também pela pressão exercida pelos taxistas, temerosos com o que consideram uma concorrência desleal, uma vez que não existe nada que cobre dessa nova categoria impostos como acontece com eles. No entanto, não era possível que o tema continuasse sem debate e sem uma perspectiva de regularização no futuro, afinal muita gente não só é usuária como já se tornou fã do aplicativo.
Sem dúvida, são muitos os elementos que se tornaram um atrativo para aqueles que preferem o Uber aos tradicionais táxis, desde o valor cobrado até a comodidade e os benefícios que se acumula a partir do uso contínuo. E antes que se possa se imaginar um clima de animosidade entre os dois grupos, como já se viu em todo o Brasil, a reunião de ontem na Câmara de Mogi para tratar do assunto, a primeira desde a suspensão da atividade no município, mostrou que os motoristas do aplicativo estão abertos a regras e à regulamentação. Eles mesmos afirmam que não são favoráveis à concorrência desleal, algo tão apontado pelos taxistas. A disposição em chegar a um lugar comum de um lado pode por fim a qualquer clima de altercação e também ser o marco de uma convivência harmônica entre ambas as partes.
Outras reuniões serão realizadas pela Casa de Leis nas próximas semanas, lideradas pelo vereador Caio Cunha (PV), que levou para o Legislativo a necessidade de se discutir essa problemática, e depois está programada uma audiência pública para participação de toda a população mogiana.
Ficando tudo estabelecido dentro da lei, não há mais do que reclamar. A concorrência terá que ocorrer pela preferência do consumidor e pela excelência do serviço prestado. Se por um lado foi uma novidade que chegou e pegou os taxistas de surpresa, por outro pode ser motivo para muita coisa mudar, com aplicativo próprio para táxi, benefícios e promoções, a exemplo do Uber. Sem dúvida, todos vão ganhar.