No Brasil, quando um problema surge, é normal ver as autoridades "taparem o sol com a peneira", em vez de punirem os causadores. Esse jeitinho, ou medidas paliativas, na maioria das vezes, prejudica o cidadão de bem, que nada tem a ver com a situação.
O futebol vem sendo um bom exemplo - na verdade, péssimo exemplo -, de como os problemas são solucionados por aqui. Com a incessante violência nos estádios e ao redor deles, o Ministério Público agiu e estuda a possibilidade dos grandes clássicos serem disputados com torcida única. No futebol de outros tempos, a relação de divisão de ingressos para jogos que envolviam duas torcidas brasileiras de peso, era de 50% a 50%. No futebol contemporâneo, a divisão é de 90% (time local) e 10% (visitante). Essa medida já foi tomada há anos, para diminuir os números da violência. Agora, querem que a divisão seja 100% (time local) e 0% (time visitante). Será que essa é a melhor atitude a ser tomada? Ou seria melhor punir aqueles que comandam a violência e baderna?
Nunca é demais lembrar que a Inglaterra, hoje detentora do futebol mais rico e disputado do mundo, já teve problemas até piores três décadas atrás, mas conseguiram conter os hooligans - uma espécie de torcida organizada violenta. Aliada à reforma dos estádios, foi criada uma política de prevenção da violência. Em vez de tentar conter os baderneiros depois do início dos confrontos, a polícia passou a identificá-los previamente. Todos os times ingleses tiveram de instalar em seus estádios sistemas de monitoramento por câmeras. Conforme a identificação dos criminosos, estes eram presos e proibidos de frequentar estádios.
Fora das quatro linhas do futebol, vemos essas medidas paliativas o tempo todo. Por exemplo, no Carnaval. Quem se arrisca passar esse feriado no litoral já deve ter visto ruas, que normalmente abrigam estacionamentos, serem fechadas nessa época do ano. A intenção é impedir a baderna, carros com porta-malas abertos e som no último volume - os famosos pancadões, tão conhecidos pela região. Para não prejudicar o cidadão consciente, o correto seria fazer o mesmo que as prefeituras fazem nessas situações: intensificam a segurança para coibir os baderneiros, e não interditar a rua.
Claro que é preciso tomar cuidado para não passar de medidas paliativas para o radicalismo, embora, em determinadas situações, cortar o mal pela raiz poderá ser interpretado como uma medida radical para alguns. Paciência.