Não bastasse a crise no sistema penitenciário em vários Estados brasileiros, principalmente em Roraima, Amazonas e Rio Grande do Norte, agora o problema é em relação à segurança pública. Na verdade, um setor está ligado ao outro e era inevitável que isso acontecesse. A preocupação é se pulular de região para região, como um efeito cascata.
No Rio de Janeiro, por exemplo, a crise está estabelecida em todas as áreas do serviço público, por causa dos desmandos e malfeitos no governo estadual local, e com os servidores da segurança pública não seria diferente. Atingiu a todos, que protestaram e cruzaram os braços.
Agora as atenções estão voltadas ao Espírito Santo. Lá, a Polícia Militar está em uma espécie de "greve branca" e desde sexta-feira passada seus agentes não estão trabalhando em praticamente todo o Estado. A diferença é que a paralisação não é causada pelos policiais, mas pelos seus familiares, as esposas, que cobram do governo estadual melhorias nas condições de trabalho e no salário. Fazem manifestações nas ruas e fecham entradas de batalhões para impedir as viaturas de saírem. E os PMs, claro, se mantêm parados e aderem indiretamente à greve.
O fato é que, desde então, foram registrados mais de 50 assassinatos no período. A Justiça já declarou a greve como ilegal, mas até ontem nada mudava. A situação ficou tão fora de controle que o presidente Michel Temer autorizou que a Força Nacional fosse até o Estado atuar no policiamento. O próprio ministro da Defesa, Raul Jungmann, foi até lá conferir a situação. A greve de uma categoria desencadeou uma onda de violência exagerada nas principais cidades capixabas, como Vitória e Cachoeiro do Itapemirim, e o medo se instalou na população.
O que se espera é que o quanto antes a situação se normalize e os policiais voltem ao trabalho. Mas o episódio todo exige ação das autoridades. Não apenas para solucionar a situação como também evitar que isso se espalhe para outros locais, como aconteceu no caso das rebeliões em presídios da região Norte, que logo se propagaram para o Nordeste. Tudo é reflexo da falta de atenção devida para o setor, de investimentos, de uma política mais moderna em relação às pessoas que cumprem pena. Passou da hora de muita coisa ser revista.
Já há uma crise econômica que insiste em ficar. Uma crise institucional não pode ter proporções tão grandes ou as implicações serão severas. Que maré de má sorte. Os brasileiros só pensam: Onde vamos chegar? O que mais tem para acontecer?