As ações das prefeituras contra o mosquito Aedes aegypti deverão seguir com força total em todo Brasil com o objetivo de reduzir ao máximo os focos de proliferação do indesejado pernilongo, causador da dengue, chikungunya, e zika. Na quinta-feira passada, a equipe do Núcleo de Controle e Prevenção de Arboviroses de Mogi das Cruzes utilizou pela primeira vez a lei de ingresso forçado para combater o mosquito em um imóvel na Vila Oliveira. A vistoria foi realizada depois de denúncias feitas pela vizinhança sobre uma residência pouco utilizada, com possíveis focos.
A lei que permite aos agentes de saúde entrarem em imóveis desocupados foi proposta pela Câmara de Mogi em dezembro de 2015, quando o município vivia uma grande epidemia de dengue. Antes da entrada dos agentes (com auxílio de um chaveiro contratado), o proprietário é procurado algumas vezes para que seja tratado com o responsável o melhor dia e horário para a visita. Não obtendo resposta, os profissionais têm a liberdade de entrar nos locais abandonados ou pouco utilizados.
É claro que, mesmo se tratando de uma lei, é possível que responsáveis pelos imóveis vistoriados sem permissão entrem em conflito com a prefeitura, mas vale ressaltar que se trata de uma ação que visa a redução de um problema de saúde pública, por isso, espera-se que vários imóveis ainda sejam visitados.
Mas não são só as propriedades que deverão ser vistoriadas, mas terrenos e casas em construção. É comum residências em fase de obra se tornarem propícias para a criação focos de dengue. Em Arujá, município com diversos condomínios fechados, por exemplo, é comum que as piscinas sejam construídas muito antes da obra terminar. No decorrer dos trabalhos, as chuvas enchem essas piscinas e aquela água, muitas vezes, fica parada por meses. Esses descuidos, somado ao sol e à umidade, são as condições ideais que as larvas precisam para se desenvolverem.
É importante que a população esteja cada vez mais consciente a. E esta lei que permite que agentes de saúde ingressem de maneira forçada às residências serve como mais um exemplo para as pessoas de que o caso é sério. Além disso, é um alerta para aqueles que não limpam de forma adequada seus terrenos, casas e construções.
O contrato da prefeitura com a empresa responsável pelos ingressos forçados é de R$ 120 mil, sendo que cada atendimento sai por R$ 105. Ou seja, mais de mil residências ainda poderão receber essas visitas surpresas.