A rede de proteção às mulheres tem crescido nos últimos anos, principalmente após a Lei Maria da Penha. Mas ainda são muitos os desafios para reduzir os números da violência doméstica. O ano mal começou e entre os dias 17 e 24 deste mês, por exemplo, nossa página policial destacou três casos de estupro na região e três tentativas de homicídio contra mulheres - nestas últimas os criminosos são homens insatisfeitos com o fim de seus relacionamentos.
Até quando mulheres serão vítimas daqueles com quem um dia compartilharam suas vidas? Histórias que fazem lembrar o crime bárbaro ocorrido em Campinas, no réveillon do ano passado, quando 12 pessoas foram mortas por um homem que disputava a guarda do filho com a ex-esposa.
A violência contra a mulher persiste, e para reverter este quadro não é preciso investir apenas na repressão, mas na prevenção. A criação de políticas públicas que fortaleçam e façam cumprir os direitos das mulheres é um dos caminhos para mudar este quadro, e vem sendo adotado por algumas administrações. Em Suzano, por exemplo, desde outubro de 2014, a Guarda Civil Municipal realiza a Patrulha Maria da Penha, que até agosto do ano passado havia atendido 501 vítimas de violência doméstica. Com um acompanhamento diferenciado por meio de visitas frequentes, o objetivo é garantir o cumprimento de medidas protetivas e a efetividade da Lei Maria da Penha.
Recentemente, também foi anunciada em Poá a criação de uma rede integrada com várias instituições para oferecer serviços e proteção às mulheres. Na ocasião, a secretária municipal da Mulher, Jeruza Reis, destacou os eixos do trabalho realizado pela pasta e listou em primeiro lugar o combate e a erradicação da violência doméstica. A expectativa é que as ações alcancem o resultado esperado. Difícil acreditar no fim do problema, mas é possível reduzir os números assustadores, como dados que apontam que a cada cinco minutos uma mulher é agredida no País.
Outro crime comum, infelizmente, contra as mulheres é o estupro, como mostram as reportagens. E, no País, a cada 11 minutos, uma mulher é violentada. Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) indicam uma queda de 9% nos casos registrados entre 2015 e 2016 na região, com 373 e 339 ocorrências, respectivamente. Porém, os índices praticamente dobraram em Salesópolis e Biritiba Mirim. A situação é preocupante e há muito a ser feito para que as mulheres se sintam devidamente protegidas.