Desde o início do ano estou de férias. Comecei o período com uma gripe vinda do ano passado depois de um banho morno, ventilador e sorvete de flocos.
A garganta foi para o espaço e o corpo já cansado da labuta, caiu rapidinho. Nem uma ida a praia com a desculpa do mar levá-la embora, funcionou.
Culminou com uma crise de bronquite que há tempos não me acometia. Inalação, antibiótico e corticoide voltaram a cena durante cinco dias, "roubando" esses meus primeiros dias de descanso.
Mas o fato de não estar condicionada ao tempo louco de nossos dias, podendo ficar deitada, vendo TV, fazendo o que queria, quando queria, foi a parada necessária que precisava.
Há quanto tempo não fazia isso? Sinceramente, não sei. Todos precisamos de uma parada e não importa se estamos com grana para longas viagens ou apenas passeios esporádicos. Até mesmo gastar horas vendo séries, filmes, livros ou até mesmo aqueles programas toscos das tardes televisas.
Quanto tempo não parava para cuidar da minha casa, das minhas coisas? Separar roupas que não servem mais, passar aquela pilha gigantesca descobrindo peças que nem sabia mais que as tinha! Pode parecer muito provinciano ou doméstico demais, mas acredito que zelar pelo que temos também nos ajuda ao tão desejado equilíbrio.
Fazer as coisas sem pressa, sem o desespero de ficar presa ao tic-tac do relógio, como uma pessoa ansiosa sempre faz, é muito bom.
Ainda tenho alguns dias para me encher desses pequenos prazeres e energia até voltar ao trabalho, que também muito me engrandece. Voltar para aprender mais, para novos projetos, para novos desafios.
Quem sabe levando essa sensação do "sem pressa" que hoje está comigo, com a sensatez de quem sabe que nem tudo pode ser solucionado de imediato, seja para o profissional quanto para a vida, pois, afinal, essas duas situações são reflexo do que somos como um, apenas.
Ainda tenho muita renovação por aqui. As gavetas e prateleiras ainda estão cheias de passado. Bora deixar vir o futuro, mas com o relógio bem escondidinho em uma delas.