A prioridade não é igual para todos. Alguns preferem valorizar primeiro o pão de cada dia, outros podem perder tudo, mas querem manter seus vícios. Em uma casa, talvez o pagamento das contas de água, energia e telefone esteja no topo da lista, uma vez que o corte desses serviços prejudicará fortemente a qualidade de vida do morador. A saúde também, é claro, merece toda a atenção possível. Mas algumas prefeituras da região tiveram outras prioridades em governos anteriores.
Ontem, por exemplo, o prefeito de Poá, Gian Lopes (PR), anunciou que recebeu do governo anterior uma dívida de R$ 125 milhões, sendo mais de R$ 1 milhão só de contas atrasadas de água e energia. A administração anterior também não repassou R$ 23 milhões ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), calote este que deveria sofrer enorme punição, visto que o Brasil se desdobra para encontrar uma saída para solucionar a falta de verba nos cofres da Previdência Social, o que atrasa o pagamento de aposentados e pensionistas.
O valor do INSS retirado do salário do funcionário - seja público ou privado -, deve ser destinado à Previdência, caso contrário seria como uma apropriação indébita, ou seja, um crime. Que os advogados estejam atentos para não permitir tamanha falta de respeito aos trabalhadores.
Voltando aos rombos nos cofres das cidades da região, em Ferraz de Vasconcelos a situação consegue ser pior. Anteontem, o prefeito Zé Biruta (PRB) anunciou que o governo anterior deixou uma dívida de R$ 500 milhões. A prefeitura deste município iniciou o ano sem papel higiênico no prédio chamado Palácio da Uva Itália, que de palácio não tem nada, nem uva, nem papel. O próprio prefeito disse que só aceitou assumir a prefeitura porque gosta de desafios e porque, como seu próprio nome diz, é meio biruta.
Em Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PR) recebeu da administração anterior um déficit de R$ 250 milhões. Da mesma forma que outros municípios, o novo governante precisa se desdobrar para pagar contas e manter os serviços em andamento.
Diante de tantos gastos e déficits, o que chama a atenção são as prioridades. Muitas vezes vemos prefeitos investindo milhões em obras grandiosas, mas deixam de pagar a conta de água e de energia, ou ainda de repassar o INSS dos funcionários. Quando não se faz o básico, fica difícil acreditar que as coisas terminarão bem. Que os novos prefeitos do Alto Tietê tenham bom senso para definir o que significa prioridade para a população.