O juiz da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis, Raffaele Felice Pinto, decretou ontem o sigilo das investigações sobre a queda do avião King Air C 90, que transportava o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki e outras quatro pessoas. A aeronave caiu no mar, a 2 quilômetros da Ilha Rasa, em Paraty, na última quinta-feira, matando todos os ocupantes. A partir de hoje, o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal começam a ouvir testemunhas do acidente.
A Aeronáutica também informou ontem que o gravador de voz do avião, comumente conhecido como caixa-preta, sofreu danos ao chocar-se com o mar, mas que o equipamento possui duas partes e é altamente protegido. O aparelho chegou na manhã de sábado a Brasília para ser analisado em um laboratório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), segundo nota enviada pela Aeronáutica. Os próximos passos serão secagem do equipamento, verificação da integridade dos dados, processo de degravação e transcrição das conversas.
O tempo de duração de todo o processo depende das condições do equipamento. "É importante esclarecer que o cockpit voice recorder (CVR) possui duas partes. A primeira é o gravador em si, que armazena os dados. Essa parte é altamente protegida. A segunda é a chamada "base", que contém cabos e circuitos que fazem a ligação com o armazenamento de dados. É essa segunda parte que está molhada e precisa ser recuperada", dizia a nota.
Audiência 
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, recebeu ontem o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para uma audiência no final da tarde. Janot saiu da reunião sem falar com a Imprensa. O encontro ocorre no momento em que a Corte busca, nos bastidores, encontrar um substituto para relatar os processos da Operação Lava Jato que estavam com o ministro Teori Zavascki. Janot é o chefe das investigações da força-tarefa de procuradores que atua na Lava Jato.
A expectativa é que a ministra Cármen Lúcia decida pela redistribuição das ações criminais da Lava Jato, principalmente as que envolvem o processo de homologação das delações dos 77 ex-executivos da empreiteira Odebrecht, que estava com o ministro, entre outros mais de sete mil processos.