A cada dia é possível perceber como tudo no mundo sofre transformação. Muitas vezes trata-se de uma inversão que não é nem um pouco salutar. No Brasil são diversas as situações que ilustram isso. Inversão de prioridades, por exemplo, é o que mais se vê por aí: burocratização no lugar da simplificação, estímulo ao consumo do que incentivo ao uso racional do dinheiro, exclusão em vez de inclusão, etc.
E isso ocorre em todas as áreas. Na educação chega a ser gritante. Atualmente, cerca de dois terços dos estudantes das universidades federais no País são pessoas que teriam condições de estudar em uma faculdade privada. Mas nada é por acaso. Se não se investe no ensino fundamental e médio, pagando salários mais altos para os professores e provendo as escolas com melhor estrutura, a educação básica não melhora e os estudantes não têm melhores condições em sua maioria para competir de igual para igual no vestibular para alguma universidade pública.
No transporte também. Quando um indício de mudança no setor começou a despontar com o surgimento do serviço pelo aplicativo Uber, a gritaria foi inevitável. E aí, em vez de se pensar em meios para melhorar o atual sistema de táxis, o caminho escolhido foi complicar o estabelecimento da nova modalidade. Claro, era necessário adaptá-la a uma série de questões. Mas este era o momento para se pensar na melhoria tanto para os consumidores e como para os trabalhadores.
Os juros altíssimos do rotativo do cartão de crédito são outro exemplo. Em 2016 ultrapassaram os 450% e a promessa do governo federal é reduzir pela metade neste primeiro semestre. Bancos e financeiras querem mais é que continue tudo do jeito que está. Certamente, não estão preocupados em incentivar as pessoas a serem mais conscientes na hora da compra. Esperam que gastem e parcelem suas dívidas. É por isso que as autoridades têm que intervir e rápido.
O mundo parece não caminhar para outra direção mais humana. Um levantamento da Oxfam, organização humanitária que luta contra a pobreza, divulgada ontem, mostra que a fatia dos 1% mais ricos detém mais que todo o resto do planeta. E piora: oito homens somam o mesmo patrimônio que a metade mais pobre do mundo. É uma desigualdade absurda.
Nada impede alguém de se tornar rico, mas, sem dúvida, isso só acontece em detrimento de milhões de outras pessoas. É certo, é humano? Qual a responsabilidade desses abastados para com o mundo? Deveria ser a maior de todas. Caso contrário é só mais uma triste e injusta inversão.