Um amigo advogado me contou magoado sobre uma ofensa que sofreu. Um conhecido lhe consultou sobre um caso. Algo que envolvia um familiar internado e uma questão com o plano de saúde.
Meu amigo lhe explicou sobre as questões jurídicas, o outro respondeu que precisaria dos serviços advocatícios, vez que, seria necessária uma ação judicial.
O advogado informou sobre a estratégia processual e o valor de seus honorários. O sujeito ficou revoltado, achou muito injusta a cobrança de honorários naquele momento de dificuldade e ofendeu o meu amigo. Eu o confortei, a ofensa foi injusta, ele agiu corretamente.
A primeira explicação é de fácil compreensão. Caso os advogados não cobrassem de pessoas em momentos difíceis, os advogados não cobrariam nunca. É óbvio que quem procura um advogado se encontra em um momento delicado. O advogado é um profissional que resolve problemas (ou tenta resolver).
São raros os casos em que a busca pelo causídico é em momento de felicidade. Talvez para a realização de um divórcio, se pensarmos na parte que deseja o rompimento e aquilo significa sua libertação, por exemplo.
Existiu um momento, há muito tempo, em que os advogados não cobravam pelos serviços. Seria uma desonra cobrar pela tão nobre tarefa de defender o direito. Os assistidos, então, agradecidos pelo serviço, espontaneamente pagavam aos advogados pelo honrado préstimo. Esse é o motivo pelo qual o pagamento se chama honorários, por não ser obrigatório.
O tempo passou e o mundo mudou. Hoje, se advogado não fixar o valor dos honorários, não recebe. Se você advoga sem cobrar, recebe apenas um obrigado (nem sempre) e, pasmem, é difícil pagar aluguel com "obrigado". Não existem mais pagamentos honorários. Acreditem em mim.
Infelizmente, chegamos a esse ponto. As pessoas entendem que não devem pagar pelo serviço do profissional, que o mesmo possui obrigação moral de ajudar, sob pena de ser um canalha. Eu não sou psicanalista, mas me parece uma mistura de egoísmo com egocentrismo.