Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação Popular no Brasil são elementos absolutamente necessários, haja vista o País possuir um déficit habitacional de mais de seis milhões de moradias. A frase "o sonho da casa própria" é algo verdadeiro, em especial, para a população de menor renda, por isso, o governo desenvolveu o conhecido programa Minha Casa Minha Vida e, através de convênios com Estados e municípios, não necessariamente, mas na maioria dos casos, a União vem entregando milhões de unidades habitacionais à população, nas faixas I, II e III e, mais recentemente, na chamada faixa 1,5, cada uma delas relacionada à renda familiar dos cadastrados e interessados.
O processo de produção dessas habitações é bastante complexo, sendo que na faixa I, praticamente, as construtoras vendem os imóveis ao Fundo de Arrendamento Residencial e nas demais, as ações são de mercado, desde a incorporação até a instituição do condomínio, quando se trata dessa modalidade, havendo outras como conjuntos habitacionais e afins.
O fato é que as leis, regulamentos, portarias, instruções normativas que precisam ser atendidos para levar a cabo um empreendimento, são exaustivos e rigorosos, tornando as aprovações difíceis e morosas, mas, ao mesmo tempo, criando a possibilidade de muitos transformarem em realidade o sonho da casa própria. O que nos chama a atenção, num País tão carente e passando pelo turbilhão de problemas atuais, de toda ordem, é a notícia recente de que num apanhado rápido, o Ministério das Cidades constatou que há milhares de unidades habitacionais vinculadas ao programa, construídas, concluídas e desocupadas, desde 2013 até agora: certas coisas dificílimas de entender no nosso complexo e cambaleante Brasil.
Ora, um mínimo de organização indica as famílias beneficiárias que à primeira chamada, imediatamente, ocuparão as unidades que foram construídas para beneficiá-las. Deixar milhares de imóveis vazios por um período considerável, por outro lado, além de prejudicar o beneficiário, cria a oportunidade para o invasor e depredador, além de desgastar as construções, naturalmente. Difícil compreender: faz-se o que é muito mais complexo e deixa-se de fazer o que é simples e rápido. A correção tem que ser imediata e a prevenção também!