Em tempos de crise, alguns enriquecem! Aliás, esse é um direito de todo trabalhador: juntar dinheiro e enriquecer. Porém, a vida do cidadão que acorda cedo e sua a camisa para ter seu salário, que atualmente não está vindo como deveria, não tem sido fácil. Empresas fechando suas portas, indústrias demitindo a rodo e um mercado abatido e fraco diante da crise econômica. No entanto, há cargos imunes a todo esse terror, como dos políticos e de muitos funcionários no Poder Público.
Quando foi eleito prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) prometeu que doaria todo seu salário para entidades de caridade da capital, uma vez que ele tem condições financeiras muito boas, e que certamente não precisa desse pagamento para sobreviver. Se ele vai cumprir a promessa ainda não sabemos, mas a ideia fica em nossos sonhos mais inusitados.
A maioria dos prefeitos e políticos, e ainda funcionários escolhidos por eles, é de empresários e profissionais bem graduados e que realmente possuem uma boa situação financeira. Mas acreditar que abrirão mão dos salários é difícil de acreditar. O que acontece é o inverso. Mesmo com o País em crise, eles não largam mão de seus vencimentos.
Em alguns casos, a prefeitura não consegue pagar funcionários da saúde, professores, guardas civis e os serviços mais básicos, como contas de água e luz; mas os salários dos prefeitos, vices, vereadores, funcionários comissionados e toda a equipe são pagos todo mês.
Em meio à crise, alguns políticos estão bem "financeiramente". Enquanto o município sofre com a falta de serviços básicos, sem um hospital decente, com ruas esburacadas, alto índice de criminalidade e todo o mal que causa aos moradores, para eles não falta nada. Pelo contrário, ainda reajustam seus próprios salários acima da inflação.
Neste cenário, alguns dirão que não podem "negar" o benefício. Ou ainda que seriam julgados se não aprovassem o aumento na Câmara. Pois bem, se a melhor forma de educar é dando exemplos, então não temos mesmo chance alguma.
Infelizmente, até agora, passados quase três anos de crise econômica, de prefeituras endividadas, não vimos, pelo menos no Alto Tietê, algum político falar em congelar os salários de comissionados, de evitar o reajuste de vereadores acima da inflação, ou ainda de abdicar de seus vencimentos.
O que vimos até agora são cortes: de funcionários da equipe anterior, não da própria. "Eu corto, apenas o dos outros, não o meu". Farinha pouca, meu pirão primeiro.