Enquanto nos assusta a crescente violência, com tragédias anunciadas, como as mais de cem mortes em presídios do País apenas nos primeiros 15 dias do ano, e a desigualdade social, revelada pelo levantamento da ONG britânica Oxfam, divulgado esta semana, afirmando que os oito homens mais ricos do mundo possuem tanta riqueza quanto as 3,6 bilhões de pessoas que fazem parte da metade mais pobre do planeta, é importante lembrar que há exemplos que nos devolvem a esperança em dias melhores.
A história da mogiana Isabela Diringer, de 12 anos, veiculada em dezembro, despertou uma verdadeira corrente do bem. A garota, filha de policiais militares, nasceu com gastrosquise e, em decorrência da doença, foi diagnosticada com a síndrome do intestino curto, que a impede de ter uma vida normal. Depois de muitas cirurgias, a solução para Isa é um procedimento em Londres, na Inglaterra, que será realizado graças à ajuda de muitas pessoas que colaboraram com a campanha realizada pela família e divulgada depois por outros veículos da Imprensa. Destaque para a grande mobilização promovida por policiais militares.
Entre estes ajudantes especiais está a família de Guilherme Rocha dos Santos, 15, que após atingir o valor arrecadado para a realização de uma cirurgia cardíaca no jovem, doou R$ 200 mil para Isabela. O gesto, porém, mais comovente veio dos pais do pequeno Francisco Marzola Benitez, o Chico. Com apenas quatro anos, o mogiano sofre da mesma doença da menina e também lutava para conseguir o montante necessário para a cirurgia. Da campanha do filho, os pais de Chico retiraram R$ 40 mil para completar a quantia que faltava para Isa, emocionando, não só a família da menina como quem acompanhava o andamento.
E a corrente do bem não parou aí. No último fim de semana, Chico também conseguiu o valor necessário e, em breve, será operado. Com eventos agendados a favor do menino e a venda de produtos, a família manteve a campanha e está doando o excedente para outras crianças que sofrem de doenças graves e precisam de dinheiro para poder passar pelos procedimentos necessários. Que gestos como este se multipliquem e essa corrente permaneça, indo além de Mogi e região, como ocorreu com a Isa e o Chico, que receberam apoio de pessoas de outras localidades.
E que, com exemplos assim, este seja um ano para fazer a diferença na vida de quem precisa, mesmo com os desafios da economia. É preciso um novo olhar, ir além do que nos cerca, além do individualismo que nos limita a enxergar apenas questões que nos são pertinentes.